CUNHA

Afastado da Câmara dos Deputados por decisão do STF, Eduardo Cunha adota discurso da injustiça

Cunha foi afastado na última quinta (5) por unanimidade entre os ministros do STF

Rádio Jornal
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Publicado em 06/05/2016 às 8:55
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Foto: Reprodução


Por 11 votos a 0, o Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados na última quinta-feira (5), além de suspender o mandato de deputado federal do parlamentar. Cunha é acusado de perseguir testemunhas e manobrar para que o processo contra ele se arrastasse no Conselho de Ética da Câmara. O afastamento vale por tempo indeterminado, até que o procurador geral da República, Rodrigo Janot, e o relator do processo da Lava Jato, Teori Zavascki, cheguem à conclusão de que não há mais risco de interferência de Cunha nas investigações.

Depois do julgamento, Cunha disse que está sendo perseguido por ter dado andamento ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. "O próprio ministro Teori disse que não tem previsão na Constituição para o afastamento do presidente da Câmara e para a suspensão do mandato", alegou. "É clarou que eu estou sofrendo e vou sofrer uma retaliação política pelo processo de impeachment".

Interinamente, a Câmara vai ser comandada pelo deputado Waldir Maranhão (PP-MA) e, caso Temer não assuma a Presidência da República, quem fica com o cargo é o senador Renan Calheiros. Saiba mais no flash de Romoaldo de Souza:



O afastamento de Cunha da presidência da Câmara dos Deputados começou a se materializar em dezembro, quando Janot apresentou onze situações em que o deputado agiu para atrapalhar a Operação Lava Jato. A liminar de Zavascki tem 73 páginas e cita que a medida é "excepcionalíssima pela gravidade da situação".

Nas redes sociais, a saída de Cunha foi comemorada por quem é pró e, também, por quem é contra o impeachment da presidente Dilma. Cunha seria o segundo na linha sucessória caso a presidente fosse afastada. Na última quinta-feira (5), Dilma comentou a saída do deputado:



O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, classificou a liminar do colega como "adequada, comedida e tempestiva". Quanto ao tempo entre o pedido e a decisão, tomada ontem, o ministro disse que o tempo do Judiciário não é o tempo da política, nem da mídia. Eduardo Cunha, 57, surgiu na política nacional no governo de Fernando Collor de Mello, na década de 90. Ele começou ao lado de Paulo César Farias, o PC Farias, como tesoureiro da campanha e, depois, foi nomeado presidente da Telecomunicações do Estado do Rio de Janeiro (TELERJ).

Eleito presidente da Câmara sem o apoio do governo, Cunha comandou a casa por cerca de 460 dias. Entre os projetos em destaque está a redução da maioridade penal para 16 anos, proposta que estacionou no Senado. O político desencadeou o processo de impeachment da presidente Dilma.

Atualmente, Cunha é réu em processo por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele também é alvo de seis inquéritos, além do processo por quebra do decoro parlamentar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. O jurista José Paulo Cavalcanti Filho analisa as cenas dos próximos capítulos dessa novela na política brasileira:

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