IMPEACHMENT

Após afastamento de Dilma, clima de indefinição deve seguir nos próximos meses

Reportagem especial da Rádio Jornal detalha todo o caminho da presidente Dilma Rousseff – desde a eleição, em 2011, até o afastamento por impeachment

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Publicado em 12/05/2016 às 7:30
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Brasília, 1º de janeiro de 2011, a primeira mulher eleita presidente assume o comando do País. Dilma Rousseff (PT), sucedia o amigo Luiz Inácio Lula da Silva. Quem viu o clima festivo daquele dia jamais imaginaria o que viria acontecer cinco anos depois.

Falta de diálogo com o Congresso, escândalos, crise econômica. Na eleição mais acirrada do Brasil, Dilma é reeleita em 26 de outubro de 2014 com 51% dos votos válidos, mais de 54 milhões de votos. No discurso da vitória, o desafio de unificar o país.

Mas o cenário de divisão ficou visível logo na primeira semana após a eleição. O PSDB, que ficou em segundo lugar com Aécio Neves, entra com um pedido de investigação no Tribunal Superior Eleitoral quatro dias após o pleito. Uma auditoria feita pelo próprio partido conclui que não houve fraude.

Março de 2014: uma operação da Polícia Federal vira o temor dos políticos. Lava Jato: com foco na Petrobras, é a maior operação contra corrupção conduzida até hoje no Brasil. O juiz Sérgio Moro, comandante dos trabalhos, se torna celebridade e figura que desperta amor e ódio.

Reeleita com a promessa de manter a economia nos trilhos, Dilma nomeia Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. A ordem é clara: corte de gastos. As medidas desagradam o PT e os movimentos sociais. Em menos de seis meses, a popularidade de Dilma cai para o patamar de 10% e ela é alvo de um “panelaço” no pronunciamento do dia da mulher.

Mas seria um político o grande adversário de Dilma Rousseff - e ele vem de um partido aliado do Governo. Em fevereiro de 2015, Eduardo Cunha (PMDB), é eleito presidente da Câmara dos Deputados. Sob suspeita de corrupção, Cunha acusa o Governo de interferir nas investigações contra ele. Em julho, vai para a oposição.

Ouça a matéria completa de Rafael Souza e Natália Hermosa:

Pedaladas Fiscais: a prática de atrasar de forma proposital o repasse de dinheiro para bancos e autarquias. Esse processo marca o estopim para o impeachment. Em setembro, o jurista Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, protocola o pedido na Câmara. O Tribunal de Contas da União recomenda a reprovação das contas do Governo, que nega ter cometido crime.

A crise política ganha força dia pós dia. A econômica também. Em um ano, mais de um milhão de brasileiros perdem o emprego. Inflação na casa dos 10%. O Brasil entra oficialmente em recessão: queda de 3,8% do PIB em 2015. Ao fim de dezembro, sobre pressão do PT, cai o ministro da Fazenda Joaquim Levy, que é substituído por Nelson Barbosa.

Nos bastidores políticos, a temperatura explode. Vão para as celas de Moro, em Curitiba, João Vaccari Neto, tesoureiro do PT; o ex-ministro José Dirceu e o empresário Marcelo Odebrecht. Em novembro, a prisão inédita de um senador em pleno exercício do mandato: Delcídio Amaral (PT), líder do Governo. Ele tentou facilitar a fuga de um ex-dirigente da Petrobras.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entra no olho do furacão. Um apartamento tríplex em São Paulo e um sítio na cidade paulista de Atibaia envolveriam propina. Alvo da Operação Lava Jato, Lula é levado à força para depor e diz que é inocente.

Acusações, intrigas e traição. O maior adversário da gestão Dilma está dentro dela. Em abril de 2015, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) vira o articulador oficial do Planalto. Não dá certo. Em dezembro, uma nova surpresa: uma carta escrita pelo vice para a presidente vaza pela imprensa. Estava exposta a fragilidade entre a relação Dilma e Temer.

Encurralado pela Comissão de Ética da Câmara, o presidente Eduardo Cunha acata o processo de impeachment contra Dilma em dezembro. O Supremo Tribunal Federal intervém e o processo volta à estaca zero. Com o PT à deriva, o PMDB anuncia em março de 2016 o rompimento com o Governo de quem é vice, após quase 10 anos de parceria.

Começa a batalha no Congresso. Para a oposição, existem motivos suficientes para interromper o mandato de Dilma. Para o Governo, não há crime de responsabilidade e o processo não passa de um golpe.

A crise brasileira ganha um novo capítulo. No dia em que o ex-presidente Lula é anunciado como novo ministro da Casa Civil, conversas grampeadas entre Lula e Dilma são divulgadas pelo juiz Sérgio Moro. A suspeita é de interferência nas investigações e a busca pelo foro privilegiado.

Com um processo acelerado pelo desafeto Eduardo Cunha, o pedido de impeachment da presidente Dilma é aceito pela Câmara dos Deputados com 367 votos a favor, 137 contra e 10 abstenções. O voto da aprovação veio de Bruno Araújo (PSDB), de Pernambuco.

Às vésperas da votação do Senado, o STF afasta Eduardo Cunha do comando da Câmara. O Governo entra com o pedido de anulação do impachment no Supremo. Na manhã de 12 de maio de 2016, o pedido de impeachment da presidente Dilma é aceito pelo Senado Federal. Dilma Rousseff está oficialmente afastada da Presidência da República.

E agora? Pela constituição, o vice-presidente assume o posto de forma interina e pode ficar no cargo por até 180 dias. Uma nova votação será conduzida pelo Supremo Tribunal Federal no Senado. Com 54 votos, Dilma é condenada, cassada, fica inelegível por 8 anos e temer é oficializado no cargo.

Mas a presidente promete resistir. Durante o afastamento, Dilma segue no Palácio da Alvorada e promete montar um centro de resistência. Já o presidente interino Michel Temer está com o novo ministério formado e promete o anuncio de medidas fortes na economia.

A única certeza é que o clima de indefinição deve seguir pelos próximos meses.

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