VIOLÊNCIA

Caso de estupro coletivo comove o País e traz à tona debate sobre a cultura machista

Adolescente de 16 anos foi estuprada por 33 homens no último fim de semana, no Rio de Janeiro. Caso gerou comoção e revolta no Brasil inteiro. A cada 11 minutos, uma mulher é vítima de violência sexual no País

Rádio Jornal
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Publicado em 27/05/2016 às 8:08
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A cada 11 minutos, uma mulher é vítima de violência sexual no Brasil. Foto: Reprodução/Fotos Públicas


O caso de um estupro coletivo cometido por mais de trinta homens no Rio de Janeiro causou comoção no Brasil inteiro e fortaleceu os debates sobre a cultura machista presente no País e a naturalização da violência contra a mulher. A vítima é uma adolescente de 16 anos, mãe de uma criança de 3 e moradora de uma favela carioca. Ela conta que foi dopada e, ao acordar horas depois, viu 33 homens armados de fuzis e pistolas sobre ela.

Segundo informações da Polícia, o crime foi praticado no último sábado (21), no Morro do Barão em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. Os envolvidos no estupro coletivo podem ser integrantes de quadrilhas de traficantes de drogas da área. Além de violarem o corpo da adolescente, eles fizeram vídeos do crime e divulgaram na internet na última terça-feira (24). As imagens são fortes e mostram a vítima desacordada e ferida.

A reação de mobilização ao material divulgado foi imediata nas redes sociais e várias campanhas contra a chamada Cultura do Estupro foram promovidas. Quatro dos 33 homens já foram identificados e tiveram a prisão preventiva solicitada. Lucas Perdomo Duarte Santos, 19, é o rapaz que teria um relacionamento com a adolescente. O crime aconteceu após a jovem ir até a casa dele e, lá, ser dopada. Raphael Assis Duarte Belo, 41, é o homem que aparece rindo nas imagens do vídeo, fazendo uma selfie junto à vítima desacordada. Já Marcelo Miranda da Cruz Correa, 18, e Michel Brasil da Silva, 20, foram responsáveis por divulgar vídeos e imagens do estupro na internet.

A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu uma nota oficial, na qual se solidariza com a jovem. Pesquisas oficiais apontam que uma mulher é vítima de violência sexual no Brasil a cada 11 minutos. Uma das organizadoras da Marcha das Vadias, Ju Dolores, comenta o caso. O evento feminista é nacionalmente conhecido por lutar pelos direitos das mulheres:



Em Pernambuco, a realidade das estatísticas vai de encontro ao sentimento de insegurança nas ruas. Oficialmente, a quantidade de registros de abuso diminuiu nos últimos três anos, o que configura a chamada "subnotificação". Fatores como medo, vergonha ou até mesmo proximidade do agressor impedem que a vítima procure a Polícia. O psicólogo Sílvio Ferreira afirma que a divulgação das imagens do crime na internet traz mais sofrimento ainda à vítima:

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