POLÊMICA

Prefeitura de Caruaru esgotará instâncias jurídicas para manter show de Safadão

Secretário de Governo de Caruaru, Ruy Lira, disse ainda: "O que seria do artista local, se não viessem as atrações de fora para ‘bombar’ o São João?"

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Publicado em 22/06/2016 às 17:00
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Foto: Divulgação


O secretário de governo de Caruaru, Ruy Lira, se manifestou sobre a polêmica envolvendo o show do cantor Wesley Safadão. A justiça suspendeu a apresentação do cantor na capital do forró, no Agreste de Pernambuco, após o valor da atração ser questionado.

O caso de Safadão foi o que mais chamou a atenção: em Campina Grande, o cantor vai receber R$ 195 mil, enquanto em Caruaru o cachê foi de R$ 575 mil. A diferença é de R$ 380 mil.

Uma liminar concedida pelo juiz José Fernando Santos de Souza suspendeu o show. De acordo com a decisão, a Prefeitura do município e a Fundação de Cultura estão intimadas para tomar conhecimento da decisão e para contestar a decisão do juiz.

A 1ª Vara da Fazenda Pública informou ainda que o fórum só funciona até às 18h desta quarta-feira (22) e que a prefeitura deve agravar a liminar para que ela possa ir ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). O juiz informou ainda que a prefeitura será multada em R$ 100 mil por dia caso descumpra a decisão.

Ruy Lira disse que a determinação do prefeito de Caruaru José Queiroz é esgotar todas as instâncias jurídicas para manter o cantor na programação. “A gente está recorrendo”, garantiu. “Para a prefeitura vai ter o show. A orientação da prefeitura é esgotar todos os recursos judiciais e promocionais”, destacou o secretário.

Confira a entrevista completa com o secretário:

Ruy Lira comentou sobre as reclamações de artistas locais que, constantemente, se queixam do valor dos cachês das atrações vindas de outros Estados. “Tem um questionamento que é levantado, às vezes, e que eu acho que as pessoas precisariam pensar melhor: o cachê do artista local é menor do que o artista de fora. Aí você pergunta ‘o que seria do artista local, se não viessem as atrações de fora para ‘bombar’ o São João?’”, falou o secretário, lembrando de artistas como Chiclete com Banana, Bruno e Marrone, Luan Santana e Michel Teló.

Segundo o secretário, é preciso fazer uma avaliação mais contextualizada do problema. “Dia 26 de maio, lançamento da festa, foi lançada uma grade de programação com Wesley Safadão e essa grade é o cartão de visitas, a estrutura da festa, proposta, inclusive, aos patrocinadores”, explicou, detalhando nomes de empresas que financiaram a festa, incluindo o Governo do Estado.

Confira os detalhes da suspensão do show no flash de Núbia Silva:

Segundo ele, o show da baiana Ivete Sangalo no São João de Caruaru foi dispensado por conta do valor. “A gente ia ter Ivete Sangalo e não foi possível porque a estrutura de captação de recurso não comportava mais àquela altura e tem o problema de data. Porque dependendo da data o show muda de valor e comprometimento para o artista”, destacou, acrescentando que o valor era próximo ao pago ao cantor Wesley Safadão.

Ele defendeu a grade de programação da cidade e disse, sem citar números, que os patrocinadores oferecem um determinado valor para bancar a grade de programação. “Depois que você se compromete com tudo isso, é como se você fizesse um contrato maior do que com um artista. O contrato do São João de Caruaru com a sociedade brasileira, com os patrocinadores do Brasil inteiro (...) a gente teria que ter um cuidado muito grande na elaboração desses contratos que isso exige e nós não temos como voltar atrás, pelo menos a prefeitura de Caruaru considera desonroso questionar ou ela se colocar em questão ao que ela contratou”.

“A responsabilidade direta por esses pagamentos todos é da Fundação de Cultura, não é da prefeitura, não é do prefeito José Queiroz”, disse, apontando que o prefeito dá apenas as diretrizes. “A festa é grande demais para ser questionada por um detalhe, por um aspecto”, defendeu.

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