INVESTIGAÇÃO

Em nota, Sinpol questiona investigação da morte de Paulo Cesar Morato

Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, Áureo Cisneiros, o Ministério Público vai ser acionado nesta segunda

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Publicado em 26/06/2016 às 10:37
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Foto: Sérgio Bernardo | JC Imagem


O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol) divulgou uma nota oficial sobre a condução das investigações sobre a morte do empresário Paulo César Barros Morato, em um quarto de motel em Olinda.

A nota emitida pelo Sinpol destaca que a atitude beira o facismo o Estado se “auto sabota” para atender interesses políticos e particulares, favorecendo a corrupção e a ocultação de graves crimes.

A diretoria afirmou que a perícia papiloscópica foi impedida de realizar a coleta de digitais dentro do quarto onde o corpo do empresário foi encontrado. O presidente do Sinpol, Aureo Cysneiros, o Ministério Público vai ser acionado nesta segunda-feira. “Não foram adotados os procedimentos normais. A perícia papiloscópica colhe as impressões digitais no local do crime e foi justamente isso que não foi feito. A gente acha isso um absurdo”, disse.

Ainda segundo o presidente do Sinpol, a não realização da perícia partiu de uma ordem superior. “A perícia papiliscópica não foi feita por conta de uma ordem superior do secretário de defesa social e da gestora da polícia científica. A gente teve essa denúncia repassada para o sindicato e vamos denunciar ao Ministério Público”, afirma.

Morato é suspeito de envolvimento em esquema de caixa dois para abastecer campanhas políticas do ex-governador Eduardo Campos (PSB). Ele seria um dos financiadores do jatinho usado pelo então candidato à presidência durante a última campanha, no ano 2014.

Confira a entrevista com o presidente do Sinpol, Aureo Cisneiros:

Leia a nota oficial do Sinpol-PE:

Não bastassem as graves, mas não surpreendentes, revelações de um suposto esquema de desvio de verbas públicas para financiar campanhas do Partido Socialista Brasileiro (PSB), em especial as do ex-governador Eduardo Campos, a Diretoria do SINPOL tomou conhecimento, nesta quinta-feira (23), que Peritos Papiloscopistas – os Policiais Civis responsáveis por realizar perícias em locais de crime para, dentre outras atribuições, detectar e identificar a presença de indivíduos suspeitos no local por meio das impressões digitais – foram impedidos de realizar perícia no quarto do motel Tititi, onde foi encontrado o corpo do empresário Paulo César de Barros Morato.

Segundo informações repassadas ao SINPOL, a ordem para barrar a realização da perícia papiloscópica teria partido do Secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, e da Gestora da “Polícia Científica”, Sandra Santos. O empresário encontrado morto estava foragido, arrolado a Operação Turbulência, da Polícia Federal (PF), que justamente investiga desvios de mais 600 milhões de reais operados pelo PSB e empresários, segundo a PF.

Diante dos fatos, uma pergunta ecoa firmemente: a quem interessa uma frágil investigação desse crime? Causaria-nos profunda estranheza o impedimento da perícia técnica na cena de qualquer crime. Mas inegavelmente esse caso envolve elementos pouco comuns e de amplo impacto na sociedade. No momento em que observamos a devassa na endêmica corrupção que corrói as estruturas da política e do Estado brasileiro, não podemos deixar que esses possíveis desvios de dinheiro público, que deveriam estar sendo empregados na saúde, na educação e na segurança dos pernambucanos, deixem de ser devidamente apurados. São muitas questões graves que envolvem o episódio, sobretudo por se tratar de uma testemunha que aparece misteriosamente morta, pouco depois de ter sua prisão preventiva decretada.

Os Peritos Papiloscopistas pernambucanos já foram fundamentais para desvendar vários casos de repercussão no estado, como o do médico Arthur de Azevedo, por exemplo. Tal ingerência, supostamente perpetrada pelo Secretário de Defesa Social e pela Gestora da Polícia Científica, que estão sob o comando do Governador Paulo Câmara, é inadmissível em um estado democrático de direito e deve ser combatida com o total rigor, tanto contra os emissários quanto aos mandatários desse verdadeiro crime contra a democracia e a justiça. É por isso que o SINPOL luta pela profissionalização e independência administrativa e financeira da Polícia Civil. Para que possamos investigar a tudo e a todos, sem qualquer tipo de intromissão política. Não sendo suficiente o sucateamento da Polícia Civil de Pernambuco, consentido e operado pelo Governo do PSB, entramos explicitamente em uma fase perigosa da conjuntura. Beiramos o fascismo, ou qualquer outro regime ditatorial, quando o Estado se “auto sabota” para atender interesses políticos e particulares, favorecendo a corrupção e a ocultação de graves crimes.

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