AUDIÊNCIA MARCADA

Artistas locais penam para receber cachês e reclamam de favorecimento aos nomes nacionais

Propinas e favorecimentos foram alguns dos assuntos debatidos no Audiência desta sexta-feira (01).

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Publicado em 01/07/2016 às 18:47
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Imagem Ilustrativa

Denúncias de favorecimentos e discriminação com os artistas locais foram alguns dos temas discutidos no Audiência Marcada desta sexta-feira (1.º). O comunicador Ednaldo Santos recebeu no estúdio da Rádio Jornal o Maestro Duda; o ator e cantor Walmir Chagas (Véio Mangaba), o cantor, compositor e escritor Daniel Bueno, além do crítico musical do Jornal do Commercio, José Teles.

Com 40 anos de carreira, Walmir Chagas fez uma grave denúncia contra a Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur). Segundo ele, no Carnaval de 2015, dos artistas habilitados pela Empetur apenas Alceu Valença foi contratado e 40 não habilitados também entraram na lista para se apresentarem na folia de Momo. Diante do fato, Walmir Chagas, que é habilitado pela própria Empetur, entrou com uma ação no Ministério Público de Pernambuco pedindo providências contra órgão.

A respeito de propinas, ele garante que nunca recebeu proposta indecente para rachar valores de cachês, mas quando chegava em lugares onde pessoas estivessem tratando de coisas escusas elas paravam de falar diante da presença dele. Walmir foi até contundente ao falar do tratamento dispensando a quem é da região. “O artista local é uma bosta. Chega fede”, reclamou.

O Maestro Duda aproveitou para denunciar o atraso no recebimento de cachês. O músico disse que a Fundarpe deve a ele o último Carnaval de Olinda, e a Prefeitura do Recife ainda não o pagou pelo show do aniversário de 479 anos da cidade. “Eu sou patrimônio vivo do Estado e cidadão do Recife, mas não sou considerado. Preciso correr atrás para receber uma ‘merreca’ e dividir com 20 a 30 músicos”.

Daniel Bueno também fez queixas acerca da forma que o poder público trata os festejos do Nordeste. “É uma aberração o que estão fazendo. É uma descaracterização da festa junina. Contratam Zezé Di Camargo e Luciano, Bruno e Marrone, Luan Santana. Verifique se nos rodeios de São Paulo eles chamam os artistas daqui”, exclamou.

O crítico musical José Teles argumentou com o Governo precisa acabar com show público no meio da rua. “O Governo precisa pagar cultura e não entretenimento para o povo”. Segundo ele, o público daqui se acostumou a ver o artista de graça.

A respeito da Lei Rouanet, Daniel Bueno explicou que há uma segregação com o Nordeste. Eles botam no lixo o que o Nordeste apresenta. Só São Paulo, rio de Janeiro e Minas Gerais são privilegiados”. Perguntado sobre uma possível saída para que os artistas locais sejam valorizados, ele defendeu a proposta dos governos promover seminários para ouvir as propostas da classe artística.

Acompanhe o Audiência Marcada na íntegra:

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