TRANSNORDESTINA

Série "Fora dos Trilhos" mostra os prejuízos da Transnordestina

Desemprego e dívidas são alguns dos problemas enfrentados por quem investiu na ferrovia

Rádiio Jornal
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Publicado em 06/07/2016 às 10:18
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Em Missão Velha, no Ceará, a paralisação da obra trouxe desemprego pra região

Hoje, na última reportagem da Série “Fora dos Trilhos”, você acompanha o drama de comerciantes e trabalhadores que perderam dinheiro e emprego com o atraso nas obras da Transnordestina.

O primeiro prazo dado pelo governo federal para conclusão da ferrovia foi em 2010. A presidente afastada, Dilma Roussef, na última visita que fez a obra no Piauí, em setembro do ano passado, prometeu que tudo ficaria pronto até o fim mandato em 2018.

Em meio aos trilhos enferrujando, dívidas que não foram pagas e o desemprego batendo a porta, falta esperança para os sertanejos.

Luiz Eduardo é um ex-funcionário da ferrovia que tem mulher e um filho recém nascido. Quando nossa equipe o encontrou, ele estava fazendo uma homologação no sindicato local. Tinha acabado de ser demitido.

Ouça aqui a última reportagem da Série “Fora dos Trilhos”:

Muitas empresas apostaram alto no crescimento econômico que a obra trouxe à cidade e acabaram amargando prejuízos. O restaurante de Carlos Saraiva chegou a ter uma filial e contratar 25 funcionários que serviam até 1500 refeições por dia. Com a paralisação das obras, a filial fechou. 21 funcionários foram demitidos e o estabelecimento que existe há 30 anos em Salgueiro quase foi à falência. A Odebrecht, responsável pelo trecho da ferrovia, ainda deixou uma dívida de duzentos e dez mil reais.

Para os hotéis a falta de movimento na cidade dificulta o negócio. Socorro Borba é proprietária de um estabelecimento que hoje mal consegue passar dos 50% de ocupação.

Comerciantes de Salgueiro reclamam de dívidas deixadas por construtoras

Em resposta à reportagem, a Construtora Norberto Odebrecht disse por meio de nota que não existe inadimplência com nenhum fornecedor da Transnordestina. A empresa disse ainda que não faz parte do projeto há dois anos e que todos os contratos com prestadores de serviço foram quitados.

A produção entrou em contato com a Empresa Transnordestina Logística S/A, que tem a concessão para explorar o serviço ferroviário na região mas não teve retorno.

A reportagem também procurou o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil mas o governo interino não respondeu os questionamentos.

A reportagem é de Igor Maciel. A edição é de Natália Hermosa e os trabalhos técnicos são de Evandro Chaves.

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