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Para Lula, erro de Dilma foi quebrar a promessa de não mexer no bolso do trabalhador

Sobre o afastamento de Dilma, Lula disse que "jamais imaginou" que aconteceria desse jeito

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Publicado em 12/07/2016 às 8:18
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Foto: Rafael Souza/Rádio Jornal


Em entrevista exclusiva à Rádio Jornal, o ex-presidente Lula conversou com Geraldo Freire durante quase 45 minutos. Num apanhado histórico e político sobre seus dois mandatos (2002-2010), Lula passeou pelos temas da economia, educação, saúde, confiança política e eleições 2018. Para ele, se candidatar em 2018 é uma questão de avaliar se o "Brasil deu certo".

Em relação ao afastamento de Dilma do governo, Lula disse que se sente extremamente triste pela maneira como aconteceu e que a presidente afastada não merecia o tratamento recebido. "Jamais imaginei que a Dilma fosse sair daquele jeito do governo. Eu não queria ter vivido aquele momento", disse. "Dilma foi vítima de um mau humor que contaminou o Brasil desde 2013", completou.

De acordo com o ex-presidente, Dilma começou perder apoio quando quebrou a promessa de não mexer no bolso do trabalhador. "Ninguém se conformou de Dilma ter dito durante a campanha que não ia mexer no bolso do trabalhador e depois ela ter colocado em pratica um programa que era do adversário. Ela já tinha feito reuniões com os sindicatos, mas foi anunciado um pacote que jogou os sindicalistas contra ela".Ouça a entrevista completa:

ELEIÇÕES 2018 - Durante a entrevista, o ex-presidente Lula deixou claro que a candidatura a presidente no próximo pleito vai acontecer,desde que tenha condições políticas para isso. "Pra mim [sic] não ser ser candidato em 2018 é só o Brasil dar certo", disse. "Se o Brasil desse certo, por que eu precisaria ser presidente outra vez?", completou.

IMPEACHMENT - Sobre votação do impeachment de Dilma Rousseff Lula destaca que seis votos podem definir o destino dela: "Dilma está dependendo de seis votos. São seis senadores apenas para definir o futuro do país. A decisão é meramente política". Para Lula, não houve motivo para armar um golpe para destituí-la. "Você não pode só porque uma presidente não está bem nas pesquisas, você achar que pode mudar".

CRISE POLÍTICA - Lula avaliou que o país está vivendo uma fase de pessimismo generalizado. "Em dezembro de 2014 o Brasil chegou a 4,3% de desemprego, é uma coisa de primeiro mundo, mas de repente a coisa desandou. Houve uma mistura de coisas equivocadas na economia para evitar que a presidenta governasse. Agora precisamos parar pra consertar, primeiro evitando esse falso impeachment que inventaram para apresidente Dilma".

ECONOMIA - Ex-presidente definiu o que acha ser necessário fazer para recuperar a economia do Brasil: "Eu aprendi na minha vida que quanto mais você fizer o óbvio, mais acerto você tem. Economia não tem mágica, é uma questão de confiança. As pessoas tem que dormir sabendo que não vão ser pegas de surpresa de noite. Tenho que investir meu dinheiro numa conta que renda. O governo tem que empregar os recursos nos ativos que vão render mais para o país".

INVESTIGAÇÕES - O ex-presidente admitiu que as investigações incomodam, mas alegou concordar. "Isso incomoda sim, já fui prestar depoimento sobre as minhas viagens, sobre medida provisória, sobre depoimento do Delcídio. Acho muitas das perguntas insólitas, mas eu sou um cidadão igual a qualquer um. Eu não estou acima da lei, se eles acham que houve algum problema eles tem que investigar. Fiquei muito ofendido quando invadiram a minha casa, mas tudo bem".

MUNDO HOJE: Lula concluiu a entrevista comentando o cenário político mundial. "Eu acho que um dos problemas que está acontecendo no mundo hoje é a falta de lideranças. O mundo tá empobrecido de lideranças". E criticou ainda o que chamou de protecionismo: "cada um começou a cuidar do seu umbigo e esqueceu do mundo".

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