CASO JÚLIA

Delegada Gleide Ângelo acredita que pai raptou filha para se vingar da ex-companheira

Menina Júlia foi encontrada nesse sábado (23) na cidade de Santana, no Amapá. Pai tentava fugir para a Guiana Francesa

Rádio Jornal
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Publicado em 25/07/2016 às 14:40
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Delegada Gleide Ângelo emocionada no reencontro entre a menina Júlia e a mãe
Foto: Diego Nigro / JC Imagem


A bebê Júlia Cavalcanti de Alencar, de 1 ano e 10 meses, finalmente voltou aos braços da mãe, Cláudia Cavalcanti. A criança estava há 14 dias desaparecida, depois de ter sido levada pelo pai, o engenheiro Janderson Rodrigo Salgado Alencar, de 29 anos. Janderson cruzou três estados brasileiros até que a Polícia Civil conseguiu encontrá-los na cidade de Santana, no estado do Amapá, na região Norte, a cerca de 2,2 mil quilômetros de distância do Recife. Bebê voltou ao Recife, nesta segunda-feira (25), trazida por policiais, em um reencontro coberto de emoção.

Depois de 14 dias, Cláudia Cavalcanti reencontra filha
Foto: Juliana Oliveira / Rádio Jornal


Para chegar até o Amapá, o pai da menina usou vários táxis para se locomover. Ele gastou muito dinheiro para sair do Maranhão e chegar até o estado onde a polícia conseguiu encontrá-los. Em entrevista à Rádio Jornal, a delegada Gleide Ângelo, responsável pelo caso, diz que a menina Júlia foi encontrada em um estado de saúde debilitado e cheia de picadas de mosquito. A delegada acredita que é o cansaço pelas longas distâncias que o pai obrigava a menina a percorrer todos os dias. Os dois até passaram dois dias em uma viagem de barco até chegar na cidade de Santana. Os taxistas tiveram um papel importantíssimo na resolução do caso, já que a polícia conseguiu rastrear o paradeiro dos dois encontrando os taxistas que levavam Janderson nas viagens. Ele gastava mais de R$ 1 mil nos trajetos.

Janderson, que veio no mesmo voo de Júlia, já está no Recife e foi encaminhado para o Cotel. Ele será preso preventivamente pelo crime de subtrair criança sem ter a guarda, para colocá-la em lugar substituto. Se condenado, ele pode pegar uma pena de 2 a 6 anos de prisão. A menina Júlia vai passar por exame no IML para verificar se sofreu algum outro tipo de agressão.

Caso do desaparecimento gerou comoção nas redes sociais
Foto: Reprodução



A delegada Gleide Ângelo acredita que Janderson raptou a filha para se vingar da ex-companheira. "(Era) questão de ego, “ela é minha”, e era uma questão de se vingar da mãe, porque ela tinha uma (medida) protetiva contra ele. Ele falou muito disso no depoimento, da protetiva. E qual a forma de se vingar de uma mãe? Tirar o filho dela. Ele não fez isso por amor, quem tem amor não faz isso. Colocar uma criança pra andar 900 km, 500 km dentro de uma taxi... (...)”



O drama de Júlia começou depois de uma visita paterna, que era autorizada pela justiça. Separado da mãe da menina há mais de um ano, o pai podia encontrar a menina a cada semana, na casa onde ela vive com a mãe, Cláudia Cavalcanti, e o avô. Janderson pegou a menina e fugiu com ela, para desespero da família. O caso gerou mobilização nas redes sociais e na imprensa.

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