SENADO

Segundo dia do julgamento do impeachment será dedicado à defesa

A lista de senadores que desejam comentar a sessão do julgamento do impeachment nesta sexta já tem mais de 30 nomes

Rádio Jornal
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Publicado em 26/08/2016 às 10:01
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Foto: Fabiano Lopes/Rádio Jornal


Após um primeiro dia tumultuado, com 16 horas de trabalho, senadores retomam nesta sexta-feira (26) a sessão destinada ao julgamento final do processo de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff. O segundo dia será dedicado a ouvir as seis testemunhas arroladas pela defesa.

A intenção do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, que comanda a sessão, é esticar os trabalhos até que a última testemunha seja ouvida. Na expectativa de ter o domingo para descansar, o ministro está disposto, inclusive, a virar a madrugada desta sexta para o sábado (27).

Para dar mais celeridade aos trabalhos, Lewandowski fará um apelo aos senadores por mais objetividade, mas tudo depende da lista de inscritos. Só para a primeira testemunha do dia, o economista, Luiz Gonzaga Belluzzo, a lista já tem 30 nomes. A relação pode diminuir ou crescer ao longo da participação do economista. Ontem, por exemplo, durante o depoimento do auditor da Receita Federal, Antônio Carlos Costa D'ávila, pelo adiantado da hora, o número de inscritos caiu de 26 à metade nos primeiros dez minutos.

Além de Belluzzo, também serão interrogados nesta sexta o professor de direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Geraldo Prado, o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, a ex-secretária de Orçamento Federal do governo Esther Dweck, o ex-secretário executivo do Ministério da Educação Luiz Cláudio Costa e, por fim, o professor de direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Ricardo Lodi Ribeiro.

Acusação

Nesta sexta-feira, senadores favoráveis ao impeachment vão tentar impugnar as testemunhas da defesa usando os mesmos argumentos do advogado José Eduardo Cardozo. Ontem, após um pedido de impugnação do depoimento de Oliveira, o ministro Ricardo Lewandowski decidiu ouví-lo apenas como informante e não mais como testemunha. O procurador do Ministério Público no Tribunal de Contas, Júlio Marcelo de Oliveira, saiu da condição de testemunha após ter admitido que usou uma rede social para se manifestar a favor da reprovação das contas da petista. A estratégia da acusação, portanto, é apresentar questões com os mesmos argumentos para tentar que alguns nomes da defesa sejam rejeitados.

No caso de Belluzzo, senadores favoráveis ao impeachment têm menos expectativa de que a questão seja acatada por Lewandowski. O economista foi o autor de um manifesto encaminhado ao STF pedindo o arquivamento do processo contra Dilma. Mas, como é pessoa física, sem ligação com órgãos públicos, a situação de Belluzzo é diferente do procurador ligado ao MP. O mesmo ocorre em relação ao advogado Ricardo Lodi, amparado pelo código da Ordem dos Advogados do Brasil.

A maior aposta dos aliados de Temer será no pedido direcionado a Esther Dweck que, segundo o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), está vinculada ao gabinete da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). "Ela não tem a menor condição de depor. É servidora do gabinete e está sob total subordinação à senadora", afirmou.

Dilma

Acompanhada de 20 convidados, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma irá pessoalmente ao Senado na segunda-feira (29) para se defender das acusações de crime de responsabilidade. A petista também responderá a perguntas dos parlamentares. A lista de inscrições para questioná-la foi aberta nesta sexta às 9h.

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