AUDIÊNCIA MARCADA

Estudiosos debatem os rumos da política brasileira

A destituição de Dilma Rousseff, a posse do presidente Michel Temer e os rumos da política são alguns dos assuntos discutidos no Audiência Marcada

Rádio Jornal
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Publicado em 02/09/2016 às 21:08
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Imagem: Rádio Jornal

Os aspectos e os reflexos políticos envolvendo a destituição de Dilma Rousseff (PT) e a posse do presidente Michel Temer (PMDB) foram debatidos nesta sexta-feira (02) no Audiência Marcada, na Rádio Jornal. O advogado, professor de Direito Constitucional da UFPE e autor do livro Impeachment à luz do constitucionalismo contemporâneo, Bruno Galindo, e o jornalista e cientista político Juliano Domingues foram os entrevistados de Ednaldo Santos e do editor de Política do JC, Gilvan Oliveira.

Da forma como o afastamento da petista se deu provocou uma desconfiança por parte da sociedade, apontou Juliano Domingues. Ele disse que desde o início o processo de Impeachment teve um elevado grau de divergências e o fatiamento também mostrou isso. “A desconfiança no processo fragiliza as instituições democráticas”, observou.

Do ponto de vista jurídico constitucional o professor Bruno Galindo foi taxativo: “Verifico uma ausência de justa causa para condenação da presidenta. Existe uma verdadeira gambiarra jurídica e a decisão de fatiar é uma das muitas inconstitucionalidades”, analisou. Mas se Dilma foi condenada deveria ser concomitante com a perda dos direitos explicou Galindo, apesar de avaliar que a condenação da petista feriu a Constituição. Mesmo assim, o advogado acredita que o Supremo Tribunal Federal (STF) manterá a decisão do Senado.

O cientista político Juliano Domingues comentou que a reversão da decisão tomada pelo Senado levaria a um desgaste grande das instâncias políticas. “O grau de desconfiança da população nas instituições é muito grande. Vejo uma tendência de ocorrer a disseminação da ideia de que houve um grande ‘acordão’ entre os poderes. STF, Senado e o presidente da República”.

“Em política eu não duvido de nada. Acho que um acordo de bastidores dessa natureza é possível”, disse Bruno Galindo sobre um possível jogo de cartas marcadas sobre o fatiamento do julgamento.

Escute o Audiência Marcada na íntegra:

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