ENTREVISTA

"Nossos presídios são casas de mortos", diz promotor Marcellus Ugiette

Promotor da Vara de Execuções Penais, Marcellus Ugiette, diz que crise no sistema prisional já vem de muito tempo

Rádio Jornal Rádio Jornal
Rádio Jornal
Rádio Jornal
Publicado em 07/01/2017 às 9:18
Leitura:
Complexo do Curado é palco constante de rebeliões
Foto de Arquivo: Alexandre Gondim/JC Imagem


Em meio aos recentes debates em torno do sistema prisional brasileiro, o promotor da Vara de Execuções Penais, Marcellus Ugiette, conversou com o comunicador Ciro Bezerra no programa Super Manhã deste sábado (7) e questionou a falta de qualidade nas unidades prisionais do país. Sobre as chacinas nos presídios de Manaus e Roraima, o promotor lembra que "essas duas foram as mais faladas, porque houve um número maior, mas a gente sabe que morreu gente em todos os presídios do país".

Quando questionado sobre uma suposta crise no sistema prisional brasileiro, Ugiette alega que "a questão não é perguntar se essa crise que houve no sistema prisional de Manaus e Roraima chega aqui em Pernambuco, a crise já vem de muito tempo no sistema prisional, o que houve foi um episódio. Eu estou chamando os presídios de 'casa dos mortos', e é uma morte da própria sociedade também, pois quando chegamos a esse estagio é porque a sociedade como um todo também está padecendo", lamenta.

Ouça aqui a entrevista completa:

PLANO NACIONAL DE SEGURANÇA

O Governo Federal lançou nesta sexta-feira (06) o Plano Nacional de Segurança, entre as ações estão a implatação de planos de segurança, criação de Forças Tarefa e outras medidas, mas para Ugiette, essas medidas vem tardiamente e são insuficientes. "Os governos não se planejam e quando acontece uma tragédia como essa eles aparecem com essas pirotecnias, quando na verdade você não vê absolutamente nada que revele uma intenção de melhorar, mas de rigorizar, tornar mais rígido o regime, e a gente tem um exemplo básico aqui em Pernambuco, onde só aumentamos os índices de violência e criminalidade. Nós precisamos entender que o problema da criminalidade é um problema social e assim que entendermos isso e aliarmos a uma politica social basica aí a gente vai mudar e melhorar", alega.

Mais Lidas