DEBATE

Ministro da Defesa diz que PCC é estado paralelo instalado no Brasil

De acordo com Raul Jungmann, o PCC ainda tem representação no Paraguai e a Bolívia. Para ele, a disputa com o Comando Vermelho estaria causando rebeliões em presídios

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Publicado em 16/01/2017 às 12:58
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Foto: Rafael Souza/Rádio Jornal


O ministro da Defesa Raul Jungmann foi o entrevistado do debate da Super Manhã desta segunda-feira (16). Durante a entrevista, ele afirmou que um dos grandes problemas da segurança pública no País é a "disputa de mercado" por organizações criminosas. De acordo com Jungmann, o PCC, que seria a principal delas, está instalado em todo o País e funciona como um "estado paralelo".

Sobre Pernambuco, o ministro afirmou que se trata de um dos estados com maior população carcerária, sendo proporcionalmente o que apresenta maior número de presos provisórios. A entrevista contou com a participação do comunicador Geraldo Freire, o jornalista Gilvan Oliveira e o advogado João Bosco Tenório. Ouça o debate completo nos players abaixo:

Defesa

Raul Jungamann começa nesta segunda-feira uma ação intensiva nas fronteiras do País. De acordo com o ministro, o Brasil é o terceiro país do Mundo em fronteira e tem a maior costa voltada para o Oceano Atlântico. Essas áreas precisam ser viagiadas pois são por onde circulam os agentes do tráfico de drogas, além de ser a porta de entrada de armas e imigrantes ilegais.

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Usuários de drogas

De acordo com o ministro, cerca de 35% dos presos são usuários de drogas e muitos deles não cometeram nenhum outro crime violento além do consumo ilegal de entorpecente. "É preciso fazer uma diferença entre o traficante de droga daquele que é usuário. O melhor para a sociedade é você manter esse usuário dentro de um sistema penitenciário que está sobre total controle das facções criminosas e que vai transformá-lo em um criminoso ou ajudar ele a sair das drogas?", diz. Se você não separa os casos, acaba contribuindo para o crescimento da criminalidade. "Os usuários de droga acabam entrandi para uma das quadrilhas para sobreviver", diz.

Comandos do tráfico

De acordo com o ministro, não é de hoje que o Sistema Carcerário brasileiro apresenta falhas. Segundo ele, o Primeiro Comando da Capital, facção criminosa conhecida como PCC, está instalada em todo o País, sendo mais efetivo em alguns estados do que em outros, e também no Paraguai e na Bolívia. "O PCC pasdou, de 2014 para 2016, de 3 mil e pouco para mais de 13 mil integrantes. Isso que você está vendo é uma disputa de ex-aliados pelo comando do mercado", diz o ministro se referindo à rivalidade entre o PCC e o Comando Vermelho. "O que aconteceu em Manaus é uma vingança do Comando Vermelho para as mortes que aconteceram em Roraima, quando morreram 10. O PCC se vinga matando 33 em Roraima e agora, foram mortos 27 no Rio Grande do Norte, onde o PCC é mais forte", explica.

Crise no Sistema Prisional

São 2.776 unidades prisionais em todo o País, que comportam 394 mil detentos, mas abrigam 646 mil. "Isso representa um déficit de 252 mil vagas. Agora, você tem 244 mil presos provisórios que estão encarcerados sem julgamento", diz. "Só em Pernambuco, são 20 mil presos provisórios. Em termos absolutos, é o terceiro estado do País e em termos proporcionais é o primeiro", completa, explicando que se trata de um problema do Judiciário, que não dá conta de julgar todo mundo, e do sistema carcerário aplicado no País, que prende os suspeitos de crimes diferentes no mesmo local. "É um sistema complexo, que engloba polícias, sistema prisional, Ministério Público e Justiça. E eles são autônomos e independentes", afirma.

Mãos de ferro

Sobre o debate da legalização do consumo de drogas, Jungmann defende que uma terceira via entre o controle do Estado e a liberação completa seja debatida. "Antes temos que esvaziar as prisões de usuários e prender os grandes criminosos", diz. "Para os usuários, proponho tratamento, para os traficantes, mãos de ferro", completa.

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