Acompanhado pela advogada Maria Eduarda Andrade, Mario José Ferreira vai até a Delegacia do Espinheiro, nesta segunda-feira (23), para formalizar a queixa contra a Casa dos Frios. Na última sexta-feira, o motorista foi impedido de entrar na loja por ter “sido confundido com um assaltante”.
Por lei, a recusa de atendimento e de acesso a estabelecimento comercial por ser negro é crime de racismo, com punição de um a três anos de prisão. Mário Ferreira afirma que vai buscar retratação doa a quem doer.
A advogada Maria Eduarda Andrade fala dos encaminhamentos e do direito que o cidadão tem. “A gente vai tomar todas as medidas civis e penais cabíveis e a autoridade policial com certeza vai investigar o caso diante de tudo que já foi mostrado”, diz.
Protesto
Um protesto contra a atitude da Casa dos Frios está sendo organizado nas para às 17h. A mobilização já com mais de 3 mil convidados na página do evento “Negr@ só se for fardado? Racismo institucionalizado!” no Facebook. O protesto acontece em frente à Casa dos Frios da Avenida Rui Barbosa, no bairro das Graças.
Entenda o caso
O caso de racismo veio à tona nas redes sociais na tarde do sábado (21) e provocou um debate sobre o racismo. Na noite da sexta-feira (20), o motorista Mário José Ferreira foi até a Casa dos Frios da Avenida Rui Barbosa a pedido do padrão. Ele já havia ido outras vezes à unidade, mas desta vez não estava usando farda, o que, segundo Mário, colaborou para o atendimento racista e agressivo.
Ele precisava comprar 20 bolos de rolo para os patrões levarem ao exterior. O valor da compra deu superior a R$ 600, que ele tinha consigo. Por isso, foi ao carro pegar mais R$ 20.
Na volta, Mário foi impedido de entrar no estabelecimento e acabou sendo abordado por policiais militares, que tinham sido acionados pelos funcionários. Mario José Ferreira foi tratado como assaltante e o caso foi parar na delegacia onde o boletim de ocorrência foi registrado.
Em nota, a Casa dos Frios informa que uma funcionária teria suspeitado que o motorista estivesse armado. A loja nega que a confusão tenha sido provocada pelo fato de o cliente ser negro.