
A Operação Carne Fraca é resultado de dois anos de investigações e foi divulgada pela Polícia Federal como a maior realizada na história da corporação. Foram cumpridos 309 mandados em sete unidades federativas: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás.
Além das empresas que participavam do esquema, a operação tem como alvo os fiscais do Ministério da Agricultura que se beneficiaram do recebimento de propina e de vantagens pessoais para liberar a venda da carne imprópria para consumo, como carnes vencidas e com produtos cancerígenos.
Além do repasse de dinheiro, os agentes públicos recebiam como propina produtos alimentícios das empresas, segundo a PF. Alguns, inclusive, já estariam começando a reclamar da qualidade dos alimentos que ganhavam para fazer vista grossa na fiscalização.
A propina que os funcionários do Ministério da República recebiam era entregue, segundo a denúncia, em veículos abarrotados de dinheiro vivo. A situação era tão complicada que o juiz cita uma das passagens em que os dirigentes dos frigoríficos vinham à Brasília, chegavam no Ministério da Agricultura, sentavam-se à mesa dos fiscais, usavam as senhas dos fiscais para liberar os produtos. Eles próprios, os empresários, eram responsáveis pelas liberações.
O juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, que autorizou a Operação Carne Fraca disse que “o ministério foi tomado de assalto por um grupo de indivíduos que traem a obrigação de servir a coletividade e fazer a fiscalização dos produtos”.
Fraudes
Entre as fraudes encontradas na Operação Carne Fraca, estão carne de cabeça de porco em linguiça, o que é proibido por lei. Um trecho de um áudio de uma conversa de dois integrantes de um frigorífico. O marido Adir conversa com a mulher Nadir sobre a compra da carne de cabeça de porco para ser colocada dentro da linguiça. Só nessa compra, o Adir manda comprar duas toneladas de carne de cabeça de porco para colocar na linguiça.
Confira o áudio na reportagem de Romoaldo de Souza e todos os detalhes sobre a operação:
A Operação Carne de Vaca identificou envolvimento político. Em uma das gravações que foram interceptadas pela Polícia Federal, o então deputado Osmar Serraglio (PMDB) conversa com o superintendente do Ministério da Agricultura reclamando da ação de um fiscal que queria fechar um frigorífico de um amigo dele.
Osmar Serraglio atualmente é ministro da Justiça. Em uma nota divulgada ele diz o seguinte: “Se havia alguma dúvida de que o ministro Osmar Serraglio, ao assumir o cargo, interferiria de alguma forma na autonomia do trabalho da Polícia Federal esse é um exemplo cabal que fala por si só. O ministro soube hoje, como um cidadão igual a todos, que teve seu nome citado em uma investigação. A conclusão, tanto do Ministério Público quanto do juiz federal, é de que não qualquer indício de ilegalidade nessa conversa”.