ENTREVISTA EXCLUSIVA

Lula defende "eleições diretas o mais rápido possível"

Ex-presidente acredita em inocência de Dilma em julgamento de chapa no TSE. Para Lula, "quem deu golpe agora não sabe o que fazer".

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Publicado em 04/04/2017 às 9:09
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Falando com roupa de ginástica, em uma rotina de preparação física, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu eleições diretas no Brasil, criticou a postura do PSDB que tenta cassar a chapa Dilma-Temer e afirmou ainda estar na expectativa de ser ou não candidato a presidente. As declarações foram dadas em entrevista exclusiva ao programa de Geraldo Freire, na Rádio Jornal, na manhã desta terça-feira (4). Confira a entrevista na íntegra:

Lula criticou a postura do PSDB, partido de Aécio Neves, que perdeu as eleições para Dilma Rousseff (PT) em 2014 e entrou com uma ação para cassar a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O julgamento começa nesta terça-feira, em Brasília. "O PSDB fez carnaval, mas não tem razão, eu acredito na inocência da Dilma, as contas já foram aprovadas até pelo próprio TSE", declarou. O petista, no entanto, não quis dar palpite sobre o que vai acontecer no julgamento, nem se o atual presidente Michel Temer (PMDB) também vai perder o mandato.

Resgatar a credibilidade

O ex-presidente voltou a chamar de golpe o processo de impeachment de Dilma Rousseff, ocorrido no ano passado: "o que está dando problema é que as pessoas que deram o golpe não sabem o que fazer com o Brasil. Diziam que o problema era o PT, a Dilma, derrubaram ela, e um ano depois a situação é pior", declarou.

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De acordo com Lula, a questão da credibilidade é crucial: "Tem um governo que não tem credibilidade junto ao povo. É preciso de um presidente eleito pelo voto para recuperar a normalidade", afirmou. Ele acredita que a urgência é gerar emprego e que uma nova eleição é o caminho: "Eu penso que se fossem convocadas eleições diretas o mais rápido possível seria o melhor", afirmou.

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Eleições 2018

Perguntado se já é candidato para um próximo pleito, Lula garante que ainda está na "expectativa" para ser candidato. Ele criticou o prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), que é cotado para ser candidato a presidente: "Eu acho desagradável falar de uma pessoa que sequer é conhecida no país, que sequer está fazendo bem seu papel em São Paulo. Ele que faça a campanha dele", afirmou.

Preocupação com o Nordeste

Lula disse estar "muito preocupado com o nordeste" e que é preciso se resgatar a normalidade e a tranquilidade no país: "O povo precisa de tranquilidade para trabalhar. O Brasil precisa voltar a crescer", afirmou. Para o ex-presidente, o caminho é um só: "Colocar os pobres no orçamento da União e gerar emprego. Se ninguém investe, quem vai girar a roda gigante da economia?", indagou.

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O petista também lembrou da urgência da seca, após mais de seis anos, e que o Brasil está "esfacelado". "O meu sonho era que O Nordeste se equiparasse com o restante do Brasil, que deixasse de aparecer na imprensa apenas por seca e analfabetismo. Mas agora ninguém acredita mais em nada", afirmou.

Reforma da Previdência e terceirização

Lula criticou o governo de Michel Temer (PMDB) e é contra a terceirização: "O governo está acabando com os direitos dos trabalhadores", disse. Sobre a Reforma da Previdência, prioridade do atual governo, Lula disparou: "Quer consertar a previdência? Melhore o emprego", disse.

O ex-presidente também criticou a política de corte de gastos: "Eu já provei que o pobre não é problema, o pobre é a solução da economia brasileira. Eu só quero saber quando a gente vai dar o pontapé pra essa economia voltar a crescer", disse.

Esta foi a primeira entrevista de Lula após a morte da esposa dele e ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em fevereiro. Agora viúvo, o ex-presidente disse que está morando com a família - sobrinhos e filhos. Ele também comentou o processo de eleições para a presidência do PT, em que defende o nome da senadora Gleisi Hoffmann(PR): "É importante preparar o PT para disputar a Presidência da República".

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