REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Arcebispo de Olinda e Recife convoca população para a greve geral

Dom Fernando Saburido divulgou vídeo convidando "homens e mulheres de boa vontade" para greve geral. Igreja se posicionou contra Reforma da Previdência

Rádio Jornal
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Publicado em 25/04/2017 às 8:22
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Na manhã desta terça-feira (25), o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, divulgou um vídeo em sua página no Facebook, convocando os fiéis e a população para a greve geral que será realizada na próxima sexta-feira (28). A Igreja Católica já se posicionou contra a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência.

Em vídeo, o arcebispo convidou 'homens e mulheres de boa vontade' para o protesto. "A classe trabalhadora não pode permitir que os direitos arduamente conquistados, com intensa participação democrática, sejam retirados", disse.

Saburido ainda acrescentou. "Qualquer ameaça a esses direitos merece imediato repúdio. Não podemos concordar com propostas de reformas que atingem apenas os trabalhadores assalariados do Brasil".

Na Missa de Páscoa, no último dia 16, o religioso já havia criticado as reformas. Na ocasião, afirmou que os brasileiros devem estar prontos 'para lutar sem cessar'.

» Arcebispo dom Fernando Saburido critica a reforma da previdência

GREVE GERAL

A greve geral é uma mobilização nacional e une diversas categorias contra a retiradas de direitos dos trabalhadores, mudanças na previdência e em protesto contra o Governo Temer. Em Pernambuco, algumas classes se pronunciaram sobre o ato, articulado pelas Centrais Sindicais CUT, CTB, CSP Conlutas, UGT, Força Sindical, Nova Central e Intersindical, com apoio das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

» Mais de 40 categorias dizem sim à Greve Geral na sexta-feira

Posicionamento

No dia 19 de abril, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Conselho Federal de Economia (COFECON) emitiram nota conjunta com o posicionamento das três entidades sobre a reforma da Previdência. Leia a nota na íntegra:

POR UMA PREVIDÊNCIA SOCIAL JUSTA E ÉTICA

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, a Ordem dos Advogados do Brasil-OAB e o Conselho Federal de Economia-COFECON, conscientes da importância da Previdência Social para o povo brasileiro, e preocupados com a proposta de reforma encaminhada pelo Executivo ao Congresso Nacional, vêm, conjuntamente, reiterar sua posição sobre a Reforma da Previdência-PEC 287/2016.

Nenhuma reforma que afete direitos básicos da população pode ser formulada, sem a devida discussão com o conjunto da sociedade e suas organizações. A Reforma da Previdência não pode ser aprovada apressadamente, nem pode colocar os interesses do mercado financeiro e as razões de ordem econômica acima das necessidades da população. Os valores ético-sociais e solidários são imprescindíveis na busca de solução para a Previdência.

As mudanças nas regras da Seguridade Social devem garantir a proteção aos vulneráveis, idosos, titulares do Benefício de Prestação Continuada-BPC, enfermos, acidentados, trabalhadores de baixa renda e trabalhadores rurais. Atenção especial merecem as mulheres, particularmente na proteção à maternidade.

Sem números seguros e sem a compreensão clara da gestão da Previdência, torna-se impossível uma discussão objetiva e honesta, motivo pelo qual urge uma auditoria na Previdência Social. Não é correto, para justificar a proposta, comparar a situação do Brasil com a dos países ricos, pois existem diferenças profundas em termos de expectativa de vida, níveis de formalização do mercado de trabalho, de escolaridade e de salários. No Brasil, 2/3 dos aposentados e pensionistas recebem o benefício mínimo, ou seja, um salário mínimo e 52% não conseguem completar 25 anos de contribuição.

A PEC 287 vai na direção oposta à necessária retomada do crescimento econômico e da geração de empregos, na medida em que agrava a desigualdade social e provoca forte impacto negativo nas economias dos milhares de pequenos municípios do Brasil.

É necessário que a sociedade brasileira esteja atenta às ameaças de retrocesso. A ampla mobilização contra a retirada de direitos, arduamente conquistados, perceptível nas últimas manifestações, tem forçado o governo a adotar mudanças. Possíveis ajustes necessitam de debate com a sociedade para eliminar o caráter reducionista de direitos.

As entidades infra firmadas convidam seus membros e as organizações da sociedade civil ao amplo debate sobre a Reforma da Previdência e sobre quaisquer outras que visem alterar direitos conquistados, como a Reforma Trabalhista. Uma sociedade justa e fraterna se fortalece, a partir do cumprimento do dever cívico de cada cidadão, em busca do aperfeiçoamento das instituições democráticas.

Brasília, 19 de abril de 2017.

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB

Ordem dos Advogados do Brasil-OAB

Conselho Federal de Economia-COFECON

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