CAMPANHA 2014

Governador confirma encontro com JBS, mas nega recebimento de propina

Citado na delação da JBS, o governador Paulo Câmara não negou que teve encontro com representantes da JBS, mas disse que as doações não foram feitas

Rádio Jornal
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Publicado em 22/05/2017 às 16:03

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O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, e o prefeito do Recife, Geraldo Julio, se pronunciaram na tarde desta segunda-feira (22) sobre a delação feita pelo diretor da JBS, Ricardo Saud, que citou os dois socialistas sobre pagamento de propina para financiamento da campanha de 2014.

Paulo Câmara disse que é importante esclarecer os fatos e negou o recebimento dos valores. “A campanha eleitoral do candidato Paulo Câmara em 2014 e o PSB estadual não recebeu [sic] nenhum recurso da empresa JBS ao longo da campanha eleitoral”, garantiu.

Ele reforçou que as doações foram dadas ao PSB nacional. “O PSB nacional recebeu doações sim dessa empresa que estão devidamente declaradas em sua prestação de contas e a própria delação da empresa fala claramente que o PSB recebeu doação oficial sem nenhum tipo de contrapartida ou benefício”, explicou.

O governador falou ainda que durante as eleições teve encontros com empresários, inclusive com os da JBS, mas que isso não culminou em doações. “No caso da JBS é verdade que eu tive um encontro com representantes, onde solicitei contribuição de campanha que não veio, que não chegou na nossa campanha”, disse. “Eu tenho certeza que os fatos que estão sendo denunciados por esses delatores eles não vão prosperar porque não são verdadeiros, não correspondem aos fatos”, defendeu-se.

Confira os detalhes na reportagem de Denis Cavalcanti:

Prefeito se defende

Sobre a acusação, o prefeito Geraldo Julio diz que ela é absurda. Segundo ele, na delação, Saud diz que não houve troca de favores e que por isso o dinheiro solicitado não pode ser considerado propina. “A gente fez a solicitação de recursos legais, doações conforme a lei. Essas doações não foram feitas ao PSB de Pernambuco, à campanha do governador Paulo Câmara”, disse. “Tudo vai ser devidamente esclarecido e não há nenhum tipo de irregularidade na campanha de Paulo Câmara em 2014”, completou.

Entenda

O delator Ricardo Saud afirmou em delação à força-tarefa da Operação Lava Jato que negociou o pagamento de propina na campanha de 2014 com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, e com o prefeito do Recife, Geraldo Julio; ambos do PSB.

Segundo Ricardo Saud, tudo começou com um acerto para pagar R$ 15 milhões para a campanha presidencial do ex-governador Eduardo Campos, falecido em agosto de 2014. A delação envolve também o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB).

Após a morte de Eduardo, Saud conta que foi procurado por Geraldo Julio pedindo para que fosse honrado o pagamento do que havia sido negociado com Eduardo. O objetivo era vencer a eleição pelo governo de Pernambuco.

De acordo com o delator da JBS, o senador Fernando Bezerra Coelho também se favoreceu do acordo. Ele indicou uma empresa que teria pago R$ 1 milhão em 02 de setembro de 2014. "O Fernando Bezerra foi beneficiado. Essa nota fiscal aqui de R$ 1 milhão foi para ele", afirmou Saud.