INVESTIGAÇÃO

Genro de Pedro Corrêa é preso em nova fase da Lava Jato em PE

A Polícia Federal deflagrou mais um desdobramento da Lava Jato nesta quinta; mandados são cumpridos em Pernambuco e no Rio

Rádio Jornal
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Publicado em 03/08/2017 às 8:17
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Laudo Aparecido Dalla Costa Ziani, genro do ex-deputado Pedro Corrêa (PP), foi preso na manhã desta quinta-feira (3), no Edf. Água Viva, na Avenida Bernardo Vieira de Melo, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, durante nova fase da Operação Lava Jato, batizada de 'Rio 40 Graus'.

Ao todo, a Polícia Federal cumpre dez mandados de prisão sendo nove no Rio de Janeiro e um em Pernambuco. O principal alvo é o ex-secretário municipal de Obras Alexandre Pinto, que, segundo as investigações, cobrou propina em obras de legado da Copa do Mundo e da Olimpíada.

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A PF em Pernambuco ainda não comentou qual seria a participação de Ziani no esquema criminoso. Confira mais na reportagem de Rafael Carneiro:

De acordo com os delatores, Laudo Dalla Ziani cobrou propina pela liberação de recursos do Ministério das Cidades para a obra de recuperação ambiental da bacia de Jacarepaguá, uma das intervenções consideradas legado da Olimpíada que consumiu R$ 369,2 milhões. Segundo o relato, a propina de cerca de R$ 6,4 milhões foi repassada por meio de um escritório de advocacia.

Ele foi encaminhado para a sala da Polícia Federal no aeroporto do Recife, onde aguarda um voo para o Rio de Janeiro, onde ficará detido. Laudo é casado com Aline Correa, filha de Pedro Correa e ex-deputada federal pelo PP em São Paulo.

O sogro de Laudo, Pedro Corrêa está preso desde abril de 2015, no Paraná. Pedro Corrêa estava na carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba. Na Lava Jato, ele foi condenado a 20 anos de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção. Ao condenar o ex-deputado, o juiz federal Sérgio Moro – responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância – afirmou que Pedro Corrêa recebeu pelo menos R$ 11,7 milhões do esquema de corrupção.

O Ministério Público Federal aponta que Laudo Ziani solicitou ao representante da OAS e do Consórcio Transcarioca Rio, Antonio Cid Campelo, o pagamento de 1% do valor do contrato. O valor seria repassado a agentes públicos vinculados ao Ministério das Cidades. A propina seria corresponde à segunda etapa da obra da Transcarioca, contratada por R$ 540 milhões. O valor seria para viabilizar a liberação dos recursos para o projeto.

O valor da propina teria sido entregue em dinheiro diretamente ao ex-secretário Alexandre Pinto. Além disso, também foi identificado o contrato fictício no valor R$ 6,49 milhões com o escritório de advocacia de Vanuza Sampaio, que repassava os valores a Laudo.

Sua esposa, Aline Corrêa foi investigada pela Lava Jato por conta de contratação de funcionários fantasmas na Câmara Federal. Em 2015, o processo foi suspenso pela Justiça Federal.

Ao todo, setenta e seis policiais federais cumprem nove mandados de prisão preventiva, um mandado de prisão temporária, três mandados de condução coercitiva e dezoito mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal/RJ, no Rio de Janeiro (Recreio, Centro, Copacabana, Botafogo, Vila Isabel, Barra da Tijuca, Tijuca, Rocha, Jacarepaguá), Niterói (Boa Viagem, Icaraí, São Francisco, Itaipu, Fonseca, Camboinhas) e em São Paulo, Recife e Petrolina (PE). Todos os mandados são expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ªVara Federal Criminal do Rio. A operação é um desdobramento das delações de executivos da Carioca Engenharia.

Operação mira fraudes no BRT e na despoluição da Bacia de Jacarepaguá

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A nova fase da Lava Jato investiga pagamento de propinas nas obras do BRT Transcarioca além das fraudes na despoluição da Bacia de Jacarepaguá.

Em nota, a PF informou que a ação, batizada de Rio 40 Graus, apura um esquema envolvendo o pagamento de propina a servidores públicos nas esferas municipal e federal, por meio de serviços fictícios de advocacia e entregas de valores em espécie desviados das obras. A operação é realizada em conjunto ao Ministério Público Federal e a Receita Federal.

As investigações, iniciadas há cerca de quatro anos, indicam a participação de servidores públicos municipais no grupo criminoso. Os presos serão indiciados por corrupção,lavagem de dinheiro e organização criminosa. Após os procedimentos de praxe, eles serão encaminhados ao sistema prisional do Estado.

Com informações da Folha de S. Paulo e do JC Online

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