POLÍTICA

Nenhum partido age com decência no País hoje, diz Daniel Coelho

O deputado Daniel Coelho fez duras críticas aos políticos, inclusive do seu partido PSDB, que votaram pelo arquivamento da denúncia contra Temer

Rádio Jornal
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Publicado em 03/08/2017 às 9:50
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Um dos líderes dos “cabeças pretas”, grupo do PSDB que defende o desembarque imediato do governo de Michel Temer, o deputado federal Daniel Coelho (PSDB-PE), que já vinha defendendo publicamente a investigação da denúncia contra Michel Temer (PMDB), não poupou críticas ao quadro político brasileiro depois que a Câmara dos Deputados arquivou, nessa quarta-feira (2), a denúncia contra o presidente. "Não falo isso com felicidade, mas não tem hoje um partido que esteja agindo com coerência a respeito de sua história e a respeito de suas posições. Parece que a conveniência que está dominando o quadro partidário", disse o tucano em entrevista à Rádio Jornal, na manhã desta quinta-feira (3).

A votação da denúncia contra Temer explicitou o racha do PSDB desde que a crise mais aguda do governo começou, após a delação da JBS. Dos 47 deputados tucanos, 22 votaram pelo arquivamento da denúncia, 21 pela investigação do peemedebista e quatro se ausentaram. Para Daniel Coelho, isso mostra a sigla está 'perdida'. "O PSDB está completamente dividido e perdido. Não só o PSDB, mas todos os partidos brasileiros e a votação de ontem expressa isso de forma muito ampla. Alguns partidos dizem que Temer é inocente, mas Lula e Dilma tem todos os pecados do mundo. Já outros fazem o inverso, apontam todos os crimes no governo de Temer, mas os R$ 300 milhões que a JBS depositou, R$ 150 mi para Lula e R$ 150 mi para Dilma é peça de ficção. É uma esquizofrenia na política brasileira e uma falta de coerência sem limite".

Ouça a íntegra da entrevista com Daniel Coelho

Nos bastidores, a informação é de que o tucano iria sair do partido para ingressar no PSL, partido que compôs a chapa com Daniel no ano passado quando ele tentou se eleger prefeito do Recife. Entretanto, questionado sobre uma suposta saída do PSDB, o tucano afirmou que não vê a saída da sigla como solução. "Não estou confortável com o que ocorre na política brasileira. Não tenho problemas em fazer críticas ao PSDB porque nunca fui de concordar com o que acho errado. Eu não vejo sair do partido como uma solução, pois se analisar os outros partidos as críticas serão mais profundas. Infelizmente do quadro partidário brasileiro, com mais de 30 partidos, não tem um que esteja agindo com decência, todos estão completamente perdidos e agindo à sua conveniência", ressaltou.

PSDB RACHADO

Aliado de peso do governo Temer, o PSDB decidiu na manhã de ontem, após reunião da bancada da Câmara, que a orientação do partido seria para votar a favor do recebimento da denúncia contra o presidente. Mas uma tênue maioria contrariou a orientação do líder, Ricardo Tripoli (SP). O constrangimento entre os tucanos era evidente inclusive pelo fato de o relator do arquivamento da denúncia ter sido o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG).

No discurso em que orientou seus liderados a votar contra o governo, Tripoli frisou que, diferentemente da oposição, o PSDB não deseja o fracasso do governo, nem a “ruína do país”, mas pontuou que a sequência de escândalos causa desesperança na população. Apesar da orientação do partido, Tripoli liberou os tucanos a votar de acordo com suas consciências.

"O fosso entre as duas alas do partido cresce com as decisões que têm sido tomadas. Acho que foi uma infelicidade absurda a escolha do deputado Paulo Abi-Ackel para fazer o parecer da votação. Isso foi encarado por parcela do partido como uma provocação, pois ele não poderia relatar uma matéria sem o apoio da bancada do partido, sem o apoio do líder e mesmo assim o fez. E o Tripoli encaminhou voto contrário ao seu relatório, que mostra que a divisão é profunda", comentou Daniel.

De acordo com Daniel, há divergências também a respeito de uma possível volta do senador Aécio Neves à Presidência do partido. "Isso divide hoje o PSDB em dois grupos. É uma situação muito difícil", disse.

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