AFASTAMENTO

Caso Itambé: “Não estava acreditando”, diz tio da vítima sobre afastamento de PMs

Edvaldo da Silva, tinha 21 anos e morreu depois de ser atingido por bala de borracha em protesto no distrito de Caricé, em Itambé, na Zona da Mata Norte

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Publicado em 28/08/2017 às 22:38
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Por decisão do Juiz Ícaro Nobre Fonseca, nesta sexta-feira (25), a justiça de Itambé, na Mata Norte do Estado, decidiu afastar das funções de policiamento ostensivo, os dois PMS indiciados pelo assassinato de Edvaldo da Silva Alves, de 21 anos, morto depois de ser atingido, durante um protesto em Itambé, por uma bala da borracha. O capitão Ramon Tadeu Silva Cazé, acusado de ordenar o disparo e o autor do tiro, o soldado Ivaldo Batista de Souza, vão cumprir a partir de agora apenas funções internas administrativas.

Ao receber a notícia, o tio da vítima, Paulo Henrique, disse que não acreditava que a justiça seria feita. “Eu não estava acreditando que a justiça iria agir. Eu pensei que iria ficar por isso mesmo, meu sobrinho tinha perdido a vida. A gente que vive nesse país, a justiça só favorece os ricos, o pobre é para ficar assim mesmo, acontecer e a impunidade ficar”, disse. Segundo Paulo Henrique a decisão conforta um pouco a família, mas não é suficiente para reparar a morte do rapaz. “O certo era eles realmente serem afastados de vez, perder a farda”, comentou.

Ouço as informações no flash de Thales Kírion:

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Entenda o caso

Edvaldo da Silva Alves, foi atingido na coxa por um policial militar durante um protesto contra violência no distrito de Caricé, no município de Itambé, na Zona da Mata Norte do Estado, no dia 17 de março deste ano. Após ser alvejado, o jovem ainda foi arrastado pelo asfalto até a caçamba da viatura policial.

Edvaldo Alves foi internado na UTI do Hospital Miguel Arraes, em Paulista, com uma infecção na perna e ainda teve que respirar com o auxílio de aparelhos. O quadro piorou e depois de febre e infecção, o rapaz morreu no dia 11 de abril.

Situação da Família

Sobre a situação da família, o tio de Edvaldo esclareceu que a dor da ausência continua. “Não é fácil não, não é fácil de jeito nenhum. A gente perdeu um ente querido, assim, uma pessoa que era tão maravilhosa, tão boa com a família. Um menino educado, calmo com todo mundo e o dia a dia é difícil, minha irmã, meu Deus do céu, sofre muito, tudo o que acontece ela chora, a minha mãe só vive chorando também, ela tenta da força para minha irmã, mas sempre que lembra chora. Minha irmã está acabada... é uma coisa que ela não vai se recuperar nem tão cedo”, comentou.

Outra medida

O juiz ainda determinou que os acusados não se aproximem de testemunhas, familiares e pessoas envolvidas no caso.

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