LAVA JATO

Lula diz que está 'decepcionado' com Palocci, seu amigo

O ex-ministro Antônio Palocci acusou Lula de receber R$ 300 milhões em propina para campanha

Rádio Jornal
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Publicado em 07/09/2017 às 17:23
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Após depoimento prestado pelo ex-ministro Antônio Palocci afirmando que a Odebrecht pagou vantagens a Lula, o ex-presidente disse, nesta quinta-feira (7), que está "muito decepcionado" com Palocci, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

A reportagem destaca que, em conversas, Lula teria negado o teor das declarações de Palocci e se queixado de expressões usadas em seu depoimento, como "pacto de sangue" e "propina".

Antônio Palocci disse nessa quarta-feira (6) que a Odebrecht adquiriu um apartamento em São Bernardo do Campo para Lula e um terreno para a construção do Instituto Lula, como compensação pelas vantagens que a empresa recebeu durante o governo do petista. Ele depôs diante do juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, na condição de réu da ação penal da Operação Lava Jato que apura estes fatos, apresentados em denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

“Eu queria dizer, a princípio, que a denúncia procede. Os fatos narrados nela são verdadeiros. Eu diria apenas que os fatos narrados nessa denúncia dizem respeito a um capítulo de um livro ainda maior de um relacionamento da Odebrecht com o governo do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma, que foi uma relação bastante intensa, bastante movida a vantagens dirigidas à empresa, a propinas pagas pela Odebrecht para agentes públicos em forma de doação de campanha, em forma de benefícios pessoais, em forma de caixa 1 e caixa 2”, disse Palocci ao iniciar o depoimento. “E eu tenho conhecimento porque participei de boa parte desses entendimentos na qualidade de ministro da Fazenda do presidente Lula e ministro da Casa Civil da presidente Dilma”, disse Palocci em depoimento.

Petistas ouvidos pela Folha de S. paulo afirmaram que já havia a expectativa de que Palocci buscasse viabilizar um acordo de delação premiada. Mas Lula ficou abalado com os termos empregados pelo antigo colaborador. Amigos de Lula lembram que o ex-presidente costuma justificar o depoimento do empresário Léo Pinheiro, argumentando que ele é um homem de idade avançada e sofreu forte pressão.

A justificativa, porém, não se aplica ao ex-ministro, "que foi rápido demais" e teria se limitado a ataques contra Lula. Em uma tentativa de estimular os petistas com quem conversou, Lula afirmou que manterá sua agenda política, que inclui a edição de uma caravana no Pontal do Paranapanema. O ex-ministro Gilberto Carvalho afirma que Lula está bem. "E disse que, depois desta caravana, nada consegue abatê-lo".

Ainda de acordo com a Folha de S. paulo, a programação de viagens é, para petistas, uma tentativa de reanimar o ex-presidente. Antes de sair em caravana pelo Nordeste no mês passado, Lula disse a aliados que não suportava mais ter sua agenda consumida por reuniões com seus advogados de defesa. Após o depoimento de Palocci, a ideia é reforçar sua programação política. Vice-presidente do PT, o ex-ministro Alexandre Padilha diz que o depoimento não "mexe em nada em relação ao que estava programado".

Em abril deste ano, Lula chamou Palocci de amigo e disse que confiava no seu ex-ministro.

PALOCCI DIZ QUE ODEBRECHT REPASSOU R$ 4 MILHÕES PARA O INSTITUTO LULA

O ex-ministro detalhou, ainda, como as diretorias da Petrobras foram divididas entre os três principais partidos que compunham o governo durante as administrações petistas. “Na Diretoria de Serviços, [ficou] o PT, na Diretoria Internacional, o PMDB, e na Diretoria de Abastecimento, o PP. Desenvolveu-se uma relação de intenso financiamento partidário de políticos, pessoas, empresas. Esse foi um ilícito crescente na Petrobras, até porque as obras cresceram muito e, com elas, os ilícitos”, disse.

Palocci também disse a Moro que conversava com Lula sobre essas relações. Ele narrou como foi questionado pelo ex-presidente em 2007 se estaria havendo “muita corrupção” nas diretorias de Serviços e de Abastecimento.

Segundo o ex-ministro, a Odebrecht repassou R$ 4 milhões em espécie ao Instituto Lula como propina. Palocci disse ainda que a empreiteira havia disponibilizado uma reserva de R$ 300 milhões em propina ao PT, e que o ex-presidente sabia se tratar de “dinheiro sujo”.

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