Racismo: Professor que comparou cerveja escura a mulher negra vira réu

Na denúncia feita pelo MPF, e acatada pela Justiça, os procuradores destacam que o racismo está não só na comparação, mas também na ironia do docente

PRECONCEITO

Rádio Jornal

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Um professor do Instituto Federal Fluminense (IFF), em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, será investigado pelo crime de racismo após comparar mulher negra a uma cerveja escura. A 2ª Vara Federal de Campos aceitou denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra o docente Maurício Nunes Lamonica.

Em março do ano passado, o professor do IFF postou mensagem nas redes sociais de cunho racista comparando a mulher negra a uma cerveja escura. Na foto ele aparece segurando uma cerveja e, na legenda, disse: “Para ninguém achar que eu não gosto de afrodescendente”. E acrescentou: “Nega gostosa. Uh! Foi mal”.

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Para Justiça Federal, a declaração do professor sugere desprezo pela população negra e se encaixa em discriminação pela cor de pele. Na denúncia, o MPF reforça que o racismo não está apenas na comparação entre a cerveja e as mulheres negras, mas também na ironia.

Na denúncia apresentada à Justiça, os procuradores destacam também o fato de a agressão ter sido feita por um professor, que tem o papel de educar, e ter sido disseminada pela internet, com rápida repercussão.

Na época, o professor foi denunciado pela Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Campos, que elaborou uma notícia-crime contra Lamonica.

Risco à vida de mulheres negras

O Movimento de Mulheres Negras alerta para a relação entre machismo e racismo, que reforça estereótipos de gênero e contribui para aprofundar desigualdades. A coordenadora da organização não governamental Criola, Lúcia Xavier, vem alertando para a sexualização de mulheres negras, que tem um fundo histórico, e é responsável pela desvalorização da vida delas. O resultado, afirma, está no crescente índice de violência.

Pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) constatou, por exemplo, que o número de mortes violentas de mulheres negras aumentou 54% em dez anos, entre 2003 e 2013, chegando 2.875 vítimas. No mesmo período, homicídios de mulheres brancas caiu 9,8%.

Defesa do professor

O advogado do professor do IFF, Amyr Moussalem, afirmou que Lamonica não foi notificado e prefere não se pronunciar. Segundo ele, o acusado vem participando de diversas audiências sobre o tema e inclusive já se retratou publicamente.

Por meio da assessoria de imprensa, o Instituto Federal Fluminense informou que na época do ocorrido abriu um processo administrativo disciplinar para apurar a conduta do professor e decidiu pela aplicação de uma advertência. Segundo o instituto, ele ficou afastado das atividades durante o processo e atualmente voltou a dar aulas no ensino médio.

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