POLÊMICA

Psicólogo critica projeto de "cura gay" e diz que incomodados precisam lidar com diferenças

Psicólogo Silvio Ferreira chamou decisão da justiça, que liberou psicólogos a realizarem terapia de "reorientação sexual", de estranha

Rádio Jornal Rádio Jornal
Rádio Jornal
Rádio Jornal
Publicado em 21/09/2017 às 18:03
Leitura:

Imagem

Esta semana, uma decisão em caráter liminar de um juiz federal do Distrito Federal autorizou que psicólogos possam atender eventuais pacientes que busquem terapia para “reorientação sexual”, popularmente chamada de "cura gay". A medida atendeu a uma ação de três psicólogos que pediam a suspensão de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que estabelece como os profissionais da área devem atuar nos casos que envolvam a orientação sexual de pacientes.

O psicólogo Silvio Ferreira considerou a decisão da justiça como estranha. “Pessoas que tiveram suas vidas sufocadas, esmagadas por conta de uma orientação sexual elas não podem mais voltar a viver no mundo em que se considera aquilo que é um modo de ser próprio delas como um modo absurdo, que se tenha que se estabelecer qualquer prática corretiva”, defendeu. “A homossexualidade não é doença para se exigir uma cura”, explicou.

Segundo o psicólogo não existe um afeto correto. "Se alguém escolhe algo distinto de mim eu tenho que aprender a conviver com essa diferença, não fazer da diferença uma perturbação, um incômodo ou do meu modo de ser o padrão para as outras pessoas", destacou.

O especialista mostrou preocupação na quantidade de jovens que o procuram com dificuldades para exercerem sua sexualidade. "Muitos jovens que me procuram, que me escrevem, falando o quanto é difícil a vida deles, o quanto é amarga", lamentou. "Há muita gente ainda que encontra enorme dificuldade de puder levar para seu pai, sua mãe aquilo que nele é maior do que ele", disse. "Há muito sofrimento e às vezes quando eu escuto relatos eu penso 'esses pais, essas mães e a sociedade não sabem quantas pessoas estão sendo infelicitadas por conta que elas não podem ser elas mesmas'", apontou o psicólogo.

Por fim, ele pediu que as pessoas repensem o momento atual do país e a decisão que afeta a população LGBT. "O assunto é muito mais sério e muito mais delicado, uma vez que a gente está lidando com vidas", finalizou.

Ouça a entrevista completa:

Resolução do CFP

Em março de 1999, a Resolução de nº 1 do CFP proibiu os psicólogos de exercerem qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, bem como de colaborarem com eventos ou serviços que proponham o tratamento e a cura da homossexualidade.

O CFP baseia-se no entendimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que a homossexualidade não é uma doença, um distúrbio, nem uma perversão. Na avaliação do conselho, a forma como cada um vive sua sexualidade faz parte da identidade do sujeito, cabendo aos profissionais de psicologia única e exclusivamente contribuir para a superação dos preconceitos e das discriminações.

Mais Lidas