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Problema do Rio é de décadas, não vamos mudar em meses, diz Jungmann

O ministro ainda criticou a situação financeira do Rio de Janeiro e disse que o estado "vive uma falência múltipla dos órgãos"

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Publicado em 29/09/2017 às 10:56
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No dia em que os militares das Forças Armadas deixam a comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que o saldo da operação foi positivo e que a situação está estabilizada com o fim de confrontos violentos entre os traficantes. "Quando recebemos a solicitação do governador Pezão, a Rocinha vivia uma guerra, vivia um terror. Cinco dias com tiroteios e as pessoas não saiam de casa, escolas não abriam e o comércio não funcionava. Hoje, comércio aberto, aulas acontecendo normalmente", disse Jungmann à Rádio Jornal, na manhã desta sexta-feira (29).

As tropas fazem a segurança da favela desde o último dia 17, quando foram acionadas por solicitação do governo fluminense em função de um conflito entre traficantes rivais pelo controle de pontos de venda de drogas na região, colocando em risco a vida dos moradores.

Ainda assim, o ministro fez questão de ressaltar clima de tensão não se dissipou e que o problema da violência no Rio precisa de tempo para ser resolvido. "Nossa estratégia é ir e voltar. Quando o Exército fica nas ruas o crime tira férias, como aconteceu na Maré e no Alemão. O problema do Rio de Janeiro se construiu ao longo de décadas, não é possível reverter isso em meses", explicou o pernambucano. É preciso muito mais tempo e união da sociedade aqui no Rio de Janeiro, a exemplo de cidades que tiveram problemas similares, como Miami, Bogotá e Medelim, para que, independente do governo de plantão, as metas e objetivos para ampliar a segurança e reduzir a violência sejam alcançadas", completou.

Ouça a entrevista com Jungmann na íntegra

Para o ministro, são necessários quatro "pilares" para combater o crime no Estado. "Em primeiro lugar recuperação fiscal do Estado. A partir da próxima semana, o governador Pezão deve voltar a pagar salários atrasados, décimo terceiro para policiais. Temos também a reforma das polícias, é o coração da mudança no Rio de Janeiro. Em terceiro, a procuradora Dodge está examinando a criação de uma força-tarefa federal integrada por juízes, procuradores e policiais federais, dedicados ao Rio. Seria a Lava Jato do crime, para cuidar do estado paralelo. Em último lugar seria a garantia da lei e da ordem, com as Forças Armadas, que vai até o fim de 2018", disse.

SAÍDA DAS FORÇAS ARMADAS DA ROCINHA

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O primeiro comboio saiu do local por volta das 4h desta sexta-feira, de acordo com informação da assessoria de imprensa do Comando Militar do Leste. Raul Jungmann disse que a retirada será gradual e ocorrerá ao longo do dia. Com o deslocamento de traficantes da comunidade para outras regiões, de acordo com o ministro, não há motivo para manter o efetivo de 950 militares no local e deixar outras áreas da cidade sem o apoio das Forças Armadas.

“Os bandidos que lá estavam conseguiram passar para outras comunidades próximas, então não fazia sentido permanecer com todo esse efetivo, mas sim deslocar o efetivo para outras comunidades, outros lugares onde eles possam ser devidamente capturados", disse.

Segundo Jungmann, se houver necessidade do retorno dos militares à Rocinha, caso a situação volte a se agravar, há um entendimento com o governo estadual para analisar o pedido com rapidez. “Isso será uma coisa desburocratizada e muito rápida, porque estabelecemos um plantão dentro das nossas unidades militares, que podem rapidamente chegar de volta à Rocinha ou chegar a outras comunidades se se fizer necessário e o governo e a Segurança do Rio de Janeiro pedirem”, informou.

Por fim, o ministro ainda criticou a situação financeira do Estado do Rio de Janeiro. "Eu acho que o Rio de Janeiro vive uma falência múltipla dos órgãos: falência fiscal, falência econômica, falência em termos de governo e em termos de segurança pública. É um caso extraordinário, excepcional. O Rio de Janeiro tem 850 comunidades sob o comando do crime. Isso quer dizer que um milhão de cariocas vivem um regime de exceção, sem direito das garantias constitucionais. Ao mesmo tempo, esse crime tão poderoso captura parte das instituições.A gravidade dos problemas do Rio de Janeiro supera todo e qualquer outro estado", disse.

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