CINEMA

Hermila Guedes afirma ter sofrido preconceito por sotaque nordestino

Considerada musa do cinema nacional, a atriz Hermila Guedes foi entrevistada no Frequência 2.0 e fez um apanhado da carreira

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Publicado em 28/10/2017 às 11:23
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Nesta sexta-feira (27) o Frequência 2.0 estendeu o tapete vermelho para a Sétima Arte. O cinema foi o grande destaque do programa que teve como entrevistada a atriz pernambucana Hermila Guedes. Ela falou sobre os trabalhos e também sobre o futuro da carreira. Ainda marcaram presença os responsáveis pelo documentário “Pesado – Que som é esse que vem de Pernambuco” sobre a cena de heavy metal no Estado. Para falar sobre as notícias da semana, a convidada foi a comentarista de cinema e jornalista Silvana Marpoara. Escute o programa completo abaixo:

Musa do cinema

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Natural de Cabrobó, no Sertão do São Francisco, a atriz Hermila Guedes foi alçada ao posto de musa do cinema brasileiro há mais de dez anos após participar de produções como o “Céu de Suely”de Karim Aïnouz. Atuando ainda no teatro e na televisão, ela chega a questionar o título que recebeu. “É lógico que quando eu comecei a fazer trabalho em cinema, eu esperava um reconhecimento, mas musa já é um título bem grande e é muita responsabilidade”, diz. Mesmo assim, ela se sente lisonjeada com o reconhecimento. “Não deixa de ser gostoso de ouvir”, completa.

Carreira

Lembrada por personagens marcantes, seja no cinema ou na televisão, Hermila diz que é seletiva quanto aos papéis que escolhe fazer. “O personagem quando chega pra mim só vale à pena fazer quando eu acredito que pode me desafiar, quando aquela personagem vai dizer algo ou me faz apaixonar por ela, senão não vale à pena”, garante. A atriz não tem vergonha em dizer que já chegou a recusar propostas de trabalho. “Alguns trabalhos já chegaram e por conta de tempo ou até do que eu li e por ver que o personagem não podia dizer algo, recusei”, explica.

Sotaque

Hermila afirma já ter sofrido preconceito por conta do sotaque nordestino. “O sotaque é uma das coisas que mais preocupam e dificultam a vida de um artista nordestino chegando à televisão brasileira”, enfatiza. Ela diz que até pra trabalhar em Pernambuco já precisou neutralizar o sotaque. Em outra situação, ao fazer publicidade, a atriz chegou a questionar o cliente que queria um sotaque neutralizado. “Eu tive que falar: se você queria uma pessoa que pudesse chiar o “te” ou “de” você tinha chamado uma carioca e não uma nordestina, uma pernambucana”, ressalta.

A prática é comum no meio artístico e Hermila explica que quando uma produção se passa no Rio de Janeiro, por exemplo, os diretores pedem para deixar de lado o sotaque. No entanto, ela garante que nem sempre consegue atender ao pedido. “Eu sou do interior, sou de Cabrobó e meu sotaque era bem diferente do que está hoje. Mas quando eu estou nervosa o sotaque vem todo e não estou nem aí”.

A mulher no cinema

“No cinema não seria diferente”. Essa é a afirmação de Hermila Guedes sobre a representatividade feminina no meio artístico. Para a atriz, no país e até no mundo, há poucas mulheres ocupando importantes postos da sociedade. Apesar disso, ela acredita que existem diretoras e atrizes que tem representado bem esse papel no cinema. “Eu acabei de fazer um filme da Monique Gardenberg, de “Ó Paí, Ó”, que ela tirou justamente da experiência como diretora de cinema e resolveu fazer o filme para reafirmar o seu espaço”.

Machismo

Hermila acredita que o machismo é difícil de ser discutido por questões culturais. Na visão dela, a mulher às vezes acaba sendo mais machista que os homens. “É como se você passasse por isso de uma forma automática, sem querer. Às vezes, sem ver muito bem, você está em uma situação de machismo, de violência e de agressão sem saber”, explica.

A atriz não passou imune a essa questão no meio profissional, mas só se deu conta que se tratava de machismo tempos depois. “No trabalho eu percebi depois, não quero falar sobre que momentos e com quem, porque acho delicado, mas eu acho que eu vivo isso todo dia. Não é só no trabalho não”, diz. Hermila ainda acredita que o seu trabalho tem ajudado a discutir o tema. “Eu falei do machismo. Eu representei essa voz, essa mulher que recebia essa violência. As mulheres de alguns desses filmes, na verdade, tinham mais força, eram mulheres livres, com muita voz, com muita posição”, ressalta.

Documentário

O cineasta Leo Crivellare e o jornalista Wilfred Gadêlha, responsáveis pelo documentário "Pesado - Que som é esse que vem de Pernambuco" participaram do quadro "Mistura Massa". Eles falaram sobre a produção do filme e também da cena heavy metal do Estado.

Posições sexuais e dúvidas astrológicas

Na coluna “Sexo e Relacionamento”, a sexóloga Silvana Melo falou sobre as diferentes posições sexuais e os cuidados que as pessoas precisam ter na "hora H". Já na coluna "Astros e Estrelas", a astróloga Angela Brainer tirou as dúvidas dos ouvintes sobre astrologia. O "Frequência 2.0" vai ao toda sexta-feira às 23h, com reprise aos domingos às 21h. Perguntas e sugestões podem ser enviadas pelo frequencia@radiojornal.com.br.

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