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Nina: o app que ajuda mulheres a denunciarem assédio nos ônibus

O app foi desenvolvido por estudantes da UFPE e emite notificações quando uma passageira passa por uma situação de assédio

Rádio Jornal
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Publicado em 10/11/2017 às 15:33
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Mulheres conectadas a uma rede para relatar, alertar e mapear casos de assédio no transporte coletivo. Esta é uma das funções do aplicativo Nina, que será lançado nessa quinta-feira (9). Desenvolvido pelas estudantes Simony César e Lhaís Rodrigues, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o app emite notificações quando uma passageira passa por uma situação de assédio.

De acordo com Simony César, também é um objetivo do aplicativo a prevenção. "Caso sofra assédio, a mulher poderá reportar a localização dela, o ônibus em que ela está e o tipo de assédio que sofreu. Teremos um mapa em nosso site onde estarão estas informações e chegarão notificações para pessoas que estão em um raio próximo dela", declara. Inicialmente, a plataforma só funcionará para os ônibus que trafegam no campus da UFPE, que fica no bairro da Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife.

Como surgiu o app

Simony explica que o tema mobilidade sempre esteve presente na sua vida. Sua mãe era cobradora de ônibus e também um vizinho próximo. "Minha mãe saía para trabalhar às 4h e eu ficava sempre muito apreensiva, de que algo pudesse acontecer com ela. Este meu vizinho, durante uma viagem, sofreu um assalto e, mesmo levando a renda do ônibus, atiraram nele", relata. Ela conta que seu primeiro estágio foi em uma empresa de ônibus. "Eu recebia várias denúncias de assédio nos ônibus e meu chefe nem ligava para estes casos", completou.

O Nina começou a ser desenvolvido durante um hackathon promovido pelo Porto Digital, o Hackacity, que desafia programadores a pensar em soluções para os problemas da cidade a partir de dados. "É muito difícil encontrar dados sobre assédio. Eu só consegui validar meu tema a partir de reportagens. Porque não tem nada oficial sobre isto", explicou Simony. O nome do app é uma homenagem à cantora Nina Simone.

Até o momento, 153 estudantes se cadastraram no aplicativo, que será lançado às 16h desta quinta, no Centro de Informática (CIn-UFPE). Os casos de assédio podem ser relatados no Nina tanto pelas mulheres que sofrerem a violência, quanto pelas que forem testemunhas. Simony acrescenta que a ideia é, no futuro, a partir dos dados fornecidos pelas usuárias do app, criar um mapa de calor, com informações em tempo real, que estará disponível no site do Nina.

Confira mais detalhes na reportagem da TV Jornal:

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