RESPEITO

Dia da Consciência Negra: “Queremos representação e não caridade”

“Frequência 2.0” especial do mês da Consciência Negra entrevistou a ativista Vera Baroni, a cantora Larissa Luz e debateu o racismo estrutural brasileiro

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Publicado em 20/11/2017 às 13:47
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No país onde a população negra é o maior alvo da violência, do desemprego e da falta de oportunidade, o programa “Frequência 2.0” realizou na última sexta-feira (17) um programa especial, marcado pelo debate sobre o racismo estrutural no país dentro das discussões pelo Dia da Consciência Negra, celebrado nesta segunda-feira (20). O programa contou com a participação da advogada ativista dos direitos humanos, Vera Baroni, uma das maiores lideranças do Movimento Negro no estado.

Pelo cumprimento da Constituição

Nascida no Rio de Janeiro, mas pernambucana de coração e morando há décadas no estado, Vera Baroni defende o cumprimento da Constituição brasileira que delimita que todos são iguais. Ela lembra que as estatísticas oficiais apontam que 53% da população é negra (preta ou parda), mas que não ocupa os espaços de poder: “Não queremos caridade, nem dó. Somos iguais e queremos os mesmos direitos, queremos ocupar os espaços de poder”, declarou.

Vera Baroni ressalta ainda que o racismo é uma ideologia, construída no século XVI, que acredita que o pertencimento racial define superioridade. “Nelson Mandela já dizia que ninguém nasce racista, que isso se aprende. E é possível também que se aprenda a deixar de ser racista”, afirmou.

Racismo em toda parte

A advogada ressalta ainda que o racismo no Brasil está muito enraizado na cultura, e lembrou também do longo período de escravidão do povo negro: “O racismo é a base de todas as atitudes que são preconceituosas e no Brasil, se impregnou nas instituições, empresas e relações sociais e interpessoais", afirmou.

Vera Baroni falou ainda sobre a fragilidade ainda maior que vivem as mulheres negras, da falta de oportunidade e da exposição à violência. Vera é praticante do candomblé e Iabassé, que prepara os alimentos religiosos. Ela alerta para a agressividade contra os seguidores dos cultos de matriz africana, como candomblé e ubanda: “não é intolerância religiosa, é racismo religioso“, frisou.

Procuram-se bonecas pretas

Dentro do quadro “Mistura Massa”, a cantora baiana Larissa Luz, dona do hit “Bonecas Pretas”, conversou sobre representatividade e da difivuldade que é encontrar bonecas de cor negra e como isso interfere na formação e na autoestima das crianças.

“Não tive bonecas pretas na infância e isso fez falta no processo de construção identitária”, comenta Larissa, que já foi indicada ao Grammy Latino. A artista usa a música como arma para denunciar o preconceito e buscar maior representatividade.

Empoderamento e quebra de tabus

O “Frequência 2.0” em edição especial contou também com a participação da jornalista Lenne Ferreira e do ativista digital e estudante de teatro, Joeb Andrade. “As pessoas negras não estão mais se calando e formando uma consciência negra efetiva”, conta Lenne. Já para Joeb, dono de uma página no Facebook com mais de 100 mil seguidores, há uma mudança no conceito do Dia da Consciência Negra: “as discussões já não são mais tão superficiais. Antes era apenas uma data obrigatória da escola”

Na coluna “Sexo e relacionamento”, a sexóloga Silvana Melo derrubou mitos e estereótipos sobre a sexualidade e o corpo dos negros. Já a astróloga Angela Brainer falou sobre a Lua Negra, no quadro “Astros e Estrelas”. O fenômeno é um ponto no céu e que influencia as emoções, sexualidade e os instintos mais secretos do ser humano.

O “Frequência 2.0” vai ao ar todas as sextas, às 23h, com reprise nos domingos, às 21h. Dúvidas e sugestões podem ser enviadas para o freqüência@radiojornal.com.br.

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