ECONOMIA

A Tarifa Branca pode encarecer sua conta de luz. Saiba se vale a pena

Nova forma de calcular a conta de luz só é vantajosa para quem não usa eletricidade durante a tarde e o começo noite. Preço pode subir do KWh 90%

Rádio Jornal
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Publicado em 03/01/2018 às 12:49
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A forma de calcular a conta de luz mudou. Desde a última segunda-feira (1º), uma nova modalidade tarifária foi disponibilizada para os consumidores de energia elétrica. A Tarifa Branca é uma forma de consumir a eletricidade com preços diferentes de acordo com o dia da semana e o horário.

A ideia da Tarifa Branca é diminuir o consumo nos horários em que a energia é mais utilizada e estimular a utilização nos períodos de menor demanda. Porém, será que vale a pena optar pela nova tarifa? Isso vai depender do seu perfil de consumo. E os beneficiados ainda são minoria.

Se seu consumo é, prioritariamente, do fim da noite até o começo da tarde, sua família é grande, você possui um comércio ou trabalha em casa durante o dia, essa tarifa é pra você. Se não, melhor nem embarcar na novidade.

De acordo com a Celpe, hoje, a tarifa para o consumidor residencial tem um preço único para todo o dia. A cada KWh, o consumidor paga aproximadamente R$ 0,69. A conta final é composta pelo consumo total, mais as taxas e os impostos. Com a tarifa nova, os valores passam a ser diferentes. No horário de ponta, que é o mais caro e vai das, 17h30 às 20h29, o preço pago pelo KW fica mais de 90% mais caro. Nos horários intermediários, das 16h30 às 17h29 e das 20h30 às 21h29, fica 25% mais cara. No horário fora de ponta, o preço cai 16,25%.

De acordo com a Celpe, a Tarifa Branca não é recomendada para quem concentra o consumo nos períodos de ponta e intermediário, pois o valor da fatura pode subir. O consumidor padrão, que chega em casa do trabalho, usa ventilador, ar-condicionado, chuveiro elétrico, micro-ondas e outros equipamentos logo quando chega em casa, vai ter surpresas negativas na conta.

Dicas para economizar

O economista Laércio Queiroz afirma que é importante avaliar seu perfil de consumidor. “Independentemente da tarifa branca, é importante a família se programar para usar todo o equipamento que gaste mais energia, até às 17h. Fazendo isso, você já vai ter uma redução no consumo de energia”, diz. Ele recomenda também que a família procure soluções alternativas, como não lavar nem passar roupa à noite, evitar o uso de sanduicheiras e cafeteiras elétricas, além de tentar tomar banho mais cedo para evitar o uso do chuveiro na temperatura mais alta.

Ele tem uma família grande, com seis pessoas, e afirma que não vai optar pela tarifa branca, pelo menos por enquanto. “Vou ter que avaliar meu padrão de consumo. O consumidor corre um grande risco se fizer essa adesão sem pensar antes”, afirma.

Adesão à Tarifa Branca

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Por enquanto, o sistema está disponível apenas para clientes com média mensal superior a 500 quilowatt/hora (kWh) e para novas ligações. Ou seja, se você consome menos que esse valor, ainda não pode optar pela nova modalidade.

Se você optar pela Tarifa Branca, pode solicitar à mudança à Celpe pelos canais de relacionamento da empresa. A distribuidora terá 30 dias para atender o pedido. O medidor terá que ser trocado para se adequar à nova medição. Depois disso, se o consumidor quiser trocar, pode pedir a volta à Tarifa convencional. Porém, se quiser voltar à tarifa branca, o consumidor terá um período de carência de 180 dias.

É importante que, antes de optar pela tarifa branca, o consumidor examine seu perfil de consumo para ver qual tarifa lhe atende melhor. A Celpe será responsável pelos custos de aquisição e instalação dos equipamentos de medição necessários ao faturamento da Tarifa Branca.

Conta de luz de janeiro terá bandeira verde, sem cobrança extra

Não podem aderir grandes indústrias nem consumidores inscritos nos programas de baixa renda. Comércios, pequenas empresas, escolas e serviços que funcionem com baixa tensão, podem optar pela modalidade.

Mudanças graduais

Em 2018, a adesão à tarifa branca estará disponível apenas para novas ligações e para unidades consumidoras já existentes com média anual de consumo mensal superior a 500 kWh. A partir de 1º de janeiro de 2019, serão incluídas as unidades com consumo mensal superior a 250 kWh. Apenas a partir de janeiro de 2020, todas as unidades consumidoras poderão aderir à Tarifa Branca.

Bandeiras tarifárias

Apesar do nome semelhante, a tarifa branca não tem relação com as bandeiras tarifárias verde, vermelha e amarela. As bandeiras são momentos em que a energia fica mais cara ou mais barata de acordo com o preço que ela custa para ser produzida.

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