
Entre fevereiro e março, 75 municípios de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia vão realizar campanhas de vacinação contra a febre amarela com doses fracionadas. Em Pernambuco, a vacinação não faz parte do calendário obrigatório. Porém, com a chegada do carnaval e o trânsito de turistas, pernambucanos começam a se preocupara com a falta de imunização.
De acordo com o médico infectologista George Trigueiro a febre amarela não é comum em áreas urbanas, já que é transmitido por mosquitos que não circulam, tradicionalmente, nas cidades. Porém, já foram constatados casos em SP, RJ e BA, o que acende o sinal de alerta.
Para ele, é preciso ter prudência na hora de tomar a vacina. "Não é para tomar a vacina aleatoriamente para se prevenir de um problema que ainda não surgiu efetivamente", diz. "A vacina é o meio mais eficaz para prevenção, mas é preciso ter avaliação médica", completa. Ainda de acordo com o médico, não é recomendada a vacinação de crianças menores de 9 anos, gestantes, idosos, pessoas transplantadas, com câncer ou com imunodeficiência. Ouça a entrevista completa:
Pernambuco
D acordo com a Secretaria de saúde, desde a década de 1930 não há registros de febre amarela em Pernambuco, seja em humanos ou animais. Por não haver risco de transmissão da doença no Estado, o Ministério da Saúde considera Pernambuco como Área Sem Recomendação de Vacina (ASRV). Sendo assim, não há a necessidade de vacinação para seus residentes. A vacina só é indicada para aqueles que viajarão, por motivo de férias ou trabalho, para as Áreas Com Recomendação de Vacina (ACRV) devido ao risco de transmissão.
Macacos doentes
De acordo com o infectologista, mortes de macacos Callithrix, conhecidos como saguis, na Zona Sul do Recife estão sendo investigadas para avaliar se eles foram infectados ou não pela febre amarela. "É bom que se diga que o sagui não transmite febre amarela, quem transmite a doença é o mosquito", diz.
Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) afirmou que, desde 2017, está monitorando de mortes ou adoecimento de macacos para diagnosticar o motivo das ocorrências. Até agora, foram notificadas 36 ocorrências de mortes ou adoecimento de macacos, envolvendo 70 animais, em 26 municípios pernambucanos. Nenhum resultado laboratorial foi positivo para a febre amarela.
O fracionamento
Atualmente, o ministério utiliza a dose padrão da vacina contra a febre amarela com 0,5 mL. Já para a dose fracionada, são aplicados 0,1mL ou 1/5 da dose padrão. Desta forma, um frasco com cinco doses da vacina padrão pode imunizar até 25 pessoas com a dose fracionada contra a doença. A decisão, segundo o ministro da Saúde, Ricardo Barros, foi adotada mediante recomendação e autorização da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O fracionamento de doses, de acordo com a pasta, é uma medida preventiva e emergencial adotada em razão do surto da doença no país e que será implementada em áreas selecionadas durante um período de 15 dias. "A dose fracionada, até o presente momento, tem mostrado exatamente a mesma capacidade de imunização que a dose integral", disse o ministro.