DEBATE

Tomar vacina da febre amarela sem necessidade pode levar à morte

De acordo com especialistas, os efeitos adversos devem ser levados em conta ao optar pela imunização. Saiba quem precisa tomar a vacina da febre amarela

Rádio Jornal
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Publicado em 19/01/2018 às 12:23

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O debate Rádio Jornal recebeu a infectologista e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Vera Magalhães, e doutora em Doenças Infecciosas e Parasitárias, Heloísa Ramos, e o secretário de Saúde do Recife, Jaílson Correia, para explicar à população quais os riscos de contrair a febre amarela em Pernambuco, os sintomas da doença e os perigos de tomar a vacina que imuniza contra a virose. Ouça o debate completo:

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus, que pode levar o indivíduo infectado à morte em cerca de uma semana, se não for tratada rapidamente. O vírus é transmitido pela picada dos mosquitos transmissores infectados e não há transmissão direta de uma pessoa infectada para outra pessoa.

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Sintomas

Os sinais e sintomas mais comuns da doença são febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas, sangramento nas gengivas e vômitos que duram, em média, três dias. Nas formas mais graves da doença, podem ocorrer icterícia, insuficiências hepática e renal, manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. Sangramento nasal, vômito com sangue, fezes com sangue vivo ou com sangue amarronzado são características da febre amarela.

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Vacina

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De acordo com a Secretaria de saúde, desde a década de 1930 não há registros de febre amarela em Pernambuco, seja em humanos ou animais. Por não haver risco de transmissão da doença no Estado, o Ministério da Saúde considera Pernambuco como Área Sem Recomendação de Vacina (ASRV). Sendo assim, não há a necessidade de vacinação para seus residentes. A vacina só é indicada para aqueles que viajarão, por motivo de férias ou trabalho, para as Áreas Com Recomendação de Vacina (ACRV) devido ao risco de transmissão.

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Prudência

De acordo com as infectologistas, a vacina é o meio mais eficaz para prevenção, mas é preciso ter avaliação médica. Por utilizar o vírus atenuado, ela pode causar a doença em pessoas que estão com sistema imunológico debilitado. Por isso, não é recomendada a vacinação de crianças menores de 9 anos, gestantes, idosos, pessoas transplantadas, com câncer ou com imunodeficiência. Pessoas com alergia a ovo não podem tomar a vacina.

A médica Vera Magalhães explica que a vacina pode causar efeitos adversos graves, podendo levar inclusive à morte. "Entre os efeitos colaterais graves está a doença visceroptótica aguda, que é uma forma grave da doença causada pela vacina e afeta 4 pessoas em 1 milhão de vacinados. Já a doença neurológica aguda pode afetar 4 a 8 pessoas em 1 milhão", afirma. "Parece pouco, mas, se você pensar que em São Paulo devem ser vacinados 8 milhões de pessoas, os casos de morte podem subir para 32 a 64 pessoas, pelo menos", completa.

Quem tiver dentro dos casos em que a vacina não é recomendada mas for viajar para lugares em que o risco é grande, deve procurar o médico para avaliar os custos X benefícios. "Um idoso que for pra São Paulo, mas ficar apenas área urbana, ir a uma consulta no Hospital das Clínicas, passear na Avenida Paulista, visitar o Masp ou ir a cinemas e shoppings não precisa da vacina porque o risco de pegar a doença é muito pequeno", diz o secretário de Saúde.