Violência

Após abordar vítima em Olinda, ladrão destrói celular porque era iPhone

Mais que o assalto; a maldade. Mais do que você imagina! Ladrão jogou o iPhone na parede de uma casa. Bloqueado, o iPhone não tem serventia nenhuma

Rádio Jornal
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Publicado em 02/02/2018 às 10:03

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Chegou o meu dia de escrever um texto em primeira pessoa para o veículo em que trabalho, infelizmente por um péssimo motivo: hoje fui vítima de assalto. Não foi o primeiro que sofri, já fui assaltado uma vez há muito tempo, porém o mais violento. "Mais do que você imagina" é o slogan do Governo do Estado de Pernambuco que costuma introduzir estes textos no Facebook depois da campanha lançada pelo Executivo estadual em 2017. Nesta manhã, a poucos metros da minha casa, eu pude constatar que ser vítima da violência em Pernambuco é realmente bem mais tenso do que você pode imaginar.

Não estava andando pelas ruas de Paris, estava no meu bairro em Olinda mesmo, a poucos metros do TI PE-15 e às margens de uma movimentada rodovia estadual, às 6h30 da manhã. Nada disso intimidou os assaltantes, que agiram diante de quem quisesse ver o assalto.

Quem vive a realidade da violência no Estado fica constantemente alerta com a possibilidade de assaltos. Tanto que, mesmo antes de os dois assaltantes anunciarem o assalto, eu já sabia que ele ia acontecer.

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Pediram meu celular, um iPhone 5s já bastante usado, mas em bom estado. Eu pretendia usá-lo por algum tempo ainda.

Um ladrão pilotava a moto e o outro desceu do veículo com a mão na cintura, sinalizando que estava armado. Entreguei sem reagir e ele levou aparelho. Antes de subir de volta na moto para ir embora, o ladrão percebeu o modelo e começou a gritar palavrões, indignado. Ele não poderia fazer muita coisa com meu iPhone porque, uma vez bloqueado pela Apple, ele não teria nenhuma serventia. Além do mais, o serviço de localização que a empresa põe em seus aparelhos ainda oferece o risco de o dono e a polícia saberem exatamente onde o aparelho está. É muito perigoso para um ladrão roubar um iPhone.

Mais que o assalto; a maldade! Mais do que você imagina!

Como não ia levar o meu aparelho, ele continuou me xingando, pegou o aparelho e jogou com força contra o muro de uma das casas da rua. Quebrou inteiro. Perda total. Vários cacos. A tela de um lado, outros pedaços em outros lados.

Mais que o assalto; a maldade. Mais do que você imagina! Não levou para ele, não deixou para mim. Ele subiu na moto. Voltaram, pensei que iam atirar em mim por causa da raiva pelo "trabalho perdido", um ladrão que quebra um celular com raiva porque não ia poder fazer nada, em minha mente naquele momento, seria capaz de qualquer coisa. Felizmente voltaram "apenas para levar minha carteira". Tinha 50 reais dentro. Tinha mais minutos antes de eu sair de casa, mas por um impulso qualquer eu tirei a quantia que havia sacado ontem e saí apenas com o necessário para usar no dia.

O que me resta agora é trabalhar para comprar outro e juntar os cacos, não os do celular, ele não serve mais pra nada. Juntar os cacos e reconstruir meu estado psicológico. Não ficar com medo de andar na rua. De pegar um ônibus... perder o medo de viver onde eu vivo.

*A vítima, que não será identificada, é jornalista do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação