
Atraso na entrega de bolsas de colostomia leva pacientes a acionar o Governo do Estado na Justiça. Cerca de duas mil pessoas em Pernambuco necessitam do material para ter qualidade de vida. Cada uma custa R$ 15 – valor que compromete o orçamento das famílias de baixa renda. Os pacientes reclamam das viagens perdidas até o hospital Barão de Lucena, no bairro da Caxangá, local de entrega das bolsas.
Sem o material, alguns doentes têm que improvisar já que não há como evacuar as fezes normalmente. A vice-presidente da associação dos ostomizados, Madalena Vasconcelos, afirma que o sofrimento é indescritível. "Não tem previsão de quando vão chegar as bolsas. Os pacientes improvisam: eles estão colocando até sacola de supermercado e camisinha feminina para poder economizar. É que não tem a verba pra comprar o nosso material porque ela vem federal, ela não vem específica só para ostomizado. Vem para manter o hospital. Eles tiram uma parte para comprar nosso material, mas até agora não compraram nada".
Riscos à saúde
A direção do Hospital Barão de Lucena informa que a chegada das bolsas de colostomia depende de uma licitação em andamento. O infectologista Felipe Prochasca alerta para os riscos do procedimento, sobretudo com itens alternativos. "Toda adptação (com esse material) já começa errada. E aí ao se adaptar você aumenta os riscos. A bolsa de urina, por exemplo, ela não é hermeticamente fechada, grudada à pele, e a tendência é não conseguir coletar nada que seja pastoso ou sólido. Ela já tem uma tendência de entupir com facilidade, fazendo com que haja exposição maior da ferida".
A colostomia é uma bolsa de plástico hermeticamente fechada para proteger o ambiente a pessoa que está utilizando. "Quando se usa sacola está tirando um acumulo de detritos, mas fezes e líquidos continuam saindo e ficando expostos. A sacola não é, em nenhum momento, alternativa".