
A Polícia Civil ainda não divulgou o nome do médico suspeito de ter estuprado uma jovem de 18 anos, dentro da Unidade de Prontro Atendimento (UPA), localizada no bairro Imbiribeira. De acordo com a delegada titular que investiga o caso, Ana Elisa Sobreira, a polícia aguarda o resultado do exame sexológico realizado na vítima para ter certeza do estupro e, então, intimar o suspeito. O prazo para a entrega dos resultados pode ser de até 10 dias úteis. Mas, para essa situação, já foi solicitada celeridade. O gestor do instituto de genética, Carlos Souza, explica como funciona a análise do material coletado.
"Quando nós recebemos o DNA já genotipado, a gente tem graficamente de quem são os materiais que estão amostra. Podemos comprar esse material com os suspeitos que, por ventura, forem apresentados", disse. A jovem foi encaminhada para fazer os exames após procurar a delegacia da mulher, no bairro de Santo Amaro, no Recife, para fazer o boletim de ocorrência na noite da última quarta-feira (21). Ela foi atendida pelo delegado de plantão Jorge Ferreira. O delegado relatou que a moça estava bastante nervosa e amedrontada e que precisou atendê-la com a porta da sala da delegacia aberta na presença de policiais do sexo feminino.
Ouça reportagem completa:
"Ela chegou nervosa, assustada, precisando de acolhimento feminino. Ela veio com a mãe e isso aconteceu pela manhã e ela só nos procurou às 21h da noite, 12 horas depois. Demorou para que ela conseguisse verbalizar porque ela estava muito nervosa, ela teve que se acalmar. Ela se assustou porque encontrou policiais homens aqui, então a gente mostrou que somos profissionais, que temos mulheres na casa, já que é uma delegacia da mulher, mas todos fizemos o atendimento, uma equipe multidisciplinar, e ela se sentiu à vontade conosco e começou a narrar de fato o que tinha acontecido".
Na última quinta-feira, uma segunda mulher também foi a delegacia prestar queixa do mesmo médico. A vítima é uma universitária de 32 anos. Ela teria informado à polícia que o tramautologista fez insinuações para ela durante uma consulta de emergência no dia 15 de fevereiro deste ano também na UPA da Imbiribeira.
"Eu fui buscar ajuda porque havia machucado o dedo, fui atendida por esse médico. Quando ele começou a ver o meu dedo, ele já começou a alisar, ele baixou um pouco a minha calça e pediu pra eu ficar segurando o dedo. Ele se encostou muito em mim e encostou o pênis dele na minha mão e esfregou. Na hora eu dei uma cotovelada nele e pedi pra ele se afastar".
Atendida por homens
A polícia acredita que após a confirmação e divulgação do nome do medico outras vítimas possam aparecer. Embora, em muitos casos, as mulheres se sintam constrangidas ao serem atendidas por policiais do sexo masculino. Como explica Adriana Duarte, coordenadora do coletivo mulher.
"O atendimento na delegacia ele serve suas portarias - e, inclusive, elas devem estar disponíveis no site da delegacia civil de pernambuco - mas ela fala desse atendimento humanizado, dessa escuta, que pode se dar por um policial ou uma pol icial feminina, que deve se dar muitas vezes em ambiente seguro para a vítima, e não necessariamente ali, na frente do escrivão. E se esse atendimento for feito de forma correta dali você já tem provas que vão resultar em encaminhamento para o IML, para os serviços de investigação".
A delegacia da mulher trabalha em regime de plantão e é comum em que determinados horários o atendimento às vítimas seja feito por homens.