OPERAÇÃO POLICIAL

Em Pernambuco, Polícia Federal prende doleiro investigado no Banestado

A Operação Efeito Dominó é um desdobramento da Spectrum, que investigava tráfico de drogas. Doleiro preso em Pernambuco é suspeito de lavagem de dinheiro

Maria Luiza Falcão
Maria Luiza Falcão
Publicado em 15/05/2018 às 9:07
Agência Brasil
FOTO: Agência Brasil

A Polícia Federal deflagrou (15) a Operação Efeito Dominó, um desdobramento da Operação Spectrum, iniciada em julho de 2017, que desarticulou uma estrutura estabelecida para o tráfico internacional de drogas. Saiba mais na reportagem de Juliana Oliveira:

Cerca de 90 policiais cumprem 26 ordens judiciais, sendo 18 de busca e apreensão, cinco de prisão preventiva e três de prisão temporária nos estados do Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul e São Paulo, além do Distrito Federal.

Em Pernambuco, os mandados foram cumpridos nos bairros de Boa Viagem e Imbiribeira, Zona Sul do Recife. Um deles foi o doleiro Edmundo Gurgel Junior, que já foi alvo da PF na investigação da Operação Farol da Colina (caso Banestado) e recebeu um mandado de prisão preventiva nesta terça-feira.

Durante as investigações da Operação Spectrum, a PF desarticulou uma estrutura criminal criada visando o tráfico internacional de drogas. Esse esquema era comandado por Luiz Carlos da Rocha, mais conhecido como Cabeça Branca. Ele era tido como um dos maiores traficantes da América do Sul, tendo conexões em dezenas de outros países.

Banestado

O escândalo do Banestado, como ficou conhecido o caso envolvendo o banco estatal pertencente ao governo do Paraná, envolveu a utilização do sistema financeiro público brasileiro para enviar remessas ilegais de dinheiro para o exterior. O Banestado aconteceu na segunda metade dos anos 1990 e foi investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito em 2003.

Foram enviados dezenas de bilhões de reais ilegalmente para os Estados Unidos. As autoridades americanas conseguiram recuperar US$ 17 milhões, que foram devolvidos ao Brasil.

Doleiros

Por meio de nota, a PF informou hoje que as investigações demonstram “robustos indícios acerca do modus operandi [modo de operação] da organização criminosa, consistente na convergência de interesses das atividades ilícitas dos “clientes dos doleiros” investigados, pois de um lado havia a necessidade de disponibilidade de grande volume de reais em espécie para o pagamento de propinas e de outro, traficantes internacionais como Luiz Carlos da Rocha possuíam disponibilidade de recursos em moeda nacional e necessitavam de dólares para efetuar as transações internacionais com fornecedores de cocaína”.

Dois doleiros tinham atuação “concreta e direta” com o grupo criminoso. Ambos eram conhecidos desde a Operação Farol da Colina (caso Banestado) e na Lava Jato. De acordo com os investigadores, eles foram alvos de investigações pela mesma prática criminosa.

“Quanto ao operador financeiro (doleiro) já investigado da Operação Lava Jato, chama atenção o fato de ter retornando às suas atividades ilegais mesmo tendo firmado acordo de colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República e posteriormente homologado pelo Supremo Tribunal Federal. A Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal serão comunicados sobre a prisão do réu colaborador para avaliação quanto à “quebra” do acordo firmado”, diz a nota da PF.

Com a operação de hoje, a PF pretende reunir informações complementares da prática dos crimes de lavagem de dinheiro, contra o Sistema Financeiro Nacional, organização criminosa e associação para o tráfico internacional de entorpecentes.

*Com informações da Agência Brasil