De acordo com o presidente da Federação de Agricultura de Pernambuco, Pio Guerra, o setor que mais está sofrendo em Pernambuco com a greve dos caminhoneiros e a falta de uma solução a curto prazo é o setor primário, responsável pela produção de alimentos. O pecuarista afirma que o sistema é extremamente vulnerável e dependente do transporte, seja para a chegada de alimentação, seja para o transporte das aves, suínos e bovinos para o abate e, de lá, para os frigoríficos, supermercados e consumidor final. "Se você não disponibiliza alimentos, eles morrem. Os animais que não ganham peso de maneira adequada passam a ser antieconômicos", diz.
Pio Guerra argumenta que a greve dos caminhoneiros está cerceando o direito de ir e vir dos produtores. "Além de não termos o direito de produzir, o pouco que conseguimos produzir está apodrecendo", lamenta. Ouça a entrevista completa:
De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal, desde o início da greve dos caminhoneiros, que completou sete dias neste domingo, o fluxo de entrega de ração foi praticamente interrompido e mais de um bilhão de aves e 20 milhões de suínos estão recebendo alimentação insuficiente. Já foram sacrificados de 64 milhões de aves.
Sociedade prejudicada
O pecuarista diz que se sensibiliza com a situação dos grevistas, que pedem, entre outras coisas, a redução do preço do diesel, mas afirma que também é preciso olhar para o cidadão comum, que está saindo prejudicado. De acordo com ele, conjuntos de aumentos significativos em pouco tempo desestabilizam tudo a produção, mas há de ter bom senso."O governo precisa ceder em tudo que puder ceder e os organizadores precisam compreender as limitações e não usar o movimento para desestabilizar o governo, o sistema democrático", diz. "Isso está chegando à raia do absurdo", completa.
Para Pio Guerra, a sociedade não pode ficar sem alimento, gás de cozinha, combustível. "O direito de ir e vir está sendo cerceado", diz. "Os caminhoneiros não tem não podem opor a sociedade ao direito de sobrevivência. Se uma pessoa não tem como comprar gás e vive no centro urbano, como ela vai cozinhar? Se não tem alimento pra comprar, como elas vão se alimentar?", questiona.
Solução a curto prazo
De acordo com Pio Guerra, é preciso rever a política de reajuste de preços dos combustíveis derivados do petróleo, incluindo também a gasolina e o gás de cozinha, mas isso não pode ser o centro da questão neste momento. "Temos que resolver o problema do abastecimento. O futuro vai ter que ser resolvido pelo voto, onde couber o voto, pelo judiciário onde couber o judiciário, e não na desordem generalizada", afirma.