Aos poucos os caminhões com gás de cozinha começam a abastecer as revendedoras em Pernambuco. No bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife, uma fila de consumidores já começa a se formar em uma distribuidora, que está sem o produto há uma semana e existe a expectativa de abastecimento ainda na tarde desta quarta-feira (30).
A dona de casa Sandra está no local para comprar um botijão. “Vim garantir porque o meu no dia 2 vai acabar (...) Não tem como [ficar sem] e a gente que mora em prédio é pior”, disse. Ela criticou a alta nos últimos dias do gás de cozinha. “Tem gente pagando até 120 num botijão de gás e eu acho um absurdo”, falou.
O dono do estabelecimento, Ailton Junior, criticou a política de preço da Petrobras. “Estamos desde quarta-feira sem produto. Um prejuízo grande, só que esse prejuízo nosso já vem acumulando desde a nova prática da política de preço da Petrobras, que começou com Pedro Parente. Essa política, ao meu ver, quebrou os revendedores de gás e combustível. É um aumento sistemático quase que diário”, justificou.
O revendedor está vendendo o gás a R$ 65 e disse que não se aproveitou da situação caótica para aumentar o valor do produto. “Temos esse preço desde março de 2018 e vai continuar até o nosso estoque durar”, garantiu, explicando que o pagamento e a dinheiro.
Confira os detalhes na reportagem Marcos Helen:
Governo diz que vai preservar política de preços da Petrobras
Apesar das críticas à política adotada pela Petrobras, o Governo Federal reafirmou por meio de nota, nesta quarta-feira (30), que vai preservá-la. O texto diz ainda que o governo do presidente Michel Temer tem compromisso com a saúde financeira da estatal, que foi recuperada de "grave crise".
“As medidas anunciadas pelo governo para garantir a previsibilidade do preço do óleo diesel, que teve seu valor reduzido ao consumidor, preservaram, como continuaremos a preservar, a política de preços da Petrobras”, registra o texto. Como medida para atender a reivindicação da pauta dos caminhoneiros, o governo anunciou a decisão de reduzir em R$ 0,46, por litro, o preço do diesel na bomba e manter esse valor por 60 dias.
Na nota, o Planalto destaca ainda que a estatal "foi recuperada de grave crise nos últimos dois anos pela gestão Pedro Parente [presidente da Petrobras]”. Em vigor desde o ano passado, a atual política de preços da Petrobras prevê reajustes dos combustíveis com maior frequência refletindo as variações do petróleo no mercado internacional e também a oscilação do dólar.