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São necessárias novas medidas, diz especialista sobre incidentes com tubarão


Pesquisador acredita ainda que é importante que os bombeiros tenham autonomia para decidir pelo fechamento da praia para evitar incidentes com tubarão

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 04/06/2018 às 16:50
Guga Matos/ JC Imagem
FOTO: Guga Matos/ JC Imagem
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O engenheiro de pesca e pesquisador da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Jonas Rodrigues, falou sobre as possibilidades de enfrentamento dos ataques de tubarão no mar pernambucano.Especialistas do mundo todo discutem a questão em um evento em João Pessoa, na Paraíba, e, segundo o pesquisador, a maioria concorda com as estratégias que estão sendo adotadas para controlar a situação em Pernambuco. No entanto, acreditam que é preciso tomar novas medidas.

“São necessárias novas medidas para reduzir [os ataques]. Há pouco, cerca de um mês, tivemos um outro incidente e logo tão rápido esse novo. Significa que o cenário está modificando de maneira que os ataques estão se intensificando”, apontou. Segundo ele, é preciso conhecer mais sobre essas mudanças, já que aconteceram esses dois ataques em um espaço de tempo tão curto e no mesmo local.

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Sobre a possibilidade de o Corpo de Bombeiros ter o poder de polícia e retirar os banhistas, o pesquisador disse que é importante que a corporação tenha autonomia. “É importante que os bombeiros tenham autonomia também para decidir o momento de fechar ou não a praia, baseado nessas informações de condições de maior risco para um incidente”, opinou. “É importante que as pessoas tenham a informação e é importante também que se possa ter, por exemplo, uma estratégia de fechamento de praia após um incidente”, completou.

Jonas Rodrigues lembra que as placas sinalizando que a área é de risco são importantes, mas não são suficientes. “Outros países têm utilizado de fechamento de praia quando se avista tubarões na costa deles. Então, eles têm sim uma forma de sinalizar para a população que evite entrar no mar porque tem a presença de tubarões”, destacou.

Confira a entrevista completa:

O pesquisador pondera, no entanto, que a água do mar aqui não permite uma visibilidade tão boa. “É um pouco mais delicado de emitir alertas, mas é importante saber que isso é sim possível, tomar medidas mais rígidas para que seja reduzido o risco no momento em que a gente tenha condições que sejam extremamente favoráveis ao incidente”, explicou.

Estratégias reduzidas

Jonas lembra que algumas estratégias foram reduzidas e após a costa ter reduzido o número de incidentes. "Por exemplo, o transporte de tubarões que eram capturados e afastados da costa, que era realizado pela UFRPE junto com Cemit e o Governo do Estado, o financiador, hoje não se tem mais essa estratégia. Como se tinha cessado [os ataques] talvez acreditava-se que isso não era mais tão necessário de se fazer", disse. "Entretanto, é importante ter a ciência de que o problema não acabou, não está resolvido totalmente. Talvez seja uma questão difícil de se responder", alertou.


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