INVESTIGAÇÃO

Suspeitos utilizaram cloro para disfarçar odor do corpo do médico


A esposa e o filho do médico cardiologista Dernirson Paes da Silva, 54 anos, tiveram a prisão temporária decretada pelo crime

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 05/07/2018 às 17:12
Guga Matos/JC Imagem
FOTO: Guga Matos/JC Imagem
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A polícia revelou, nesta quinta-feira (5), durante coletiva de imprensa, que a esposa e o filho do médico cardiologista Dernirson Paes da Silva, 54 anos, utilizaram artifícios para disfarçar o mau cheiro do corpo da vítima. Segundo o chefe da Polícia Civil, Joselito Amaral, as informações foram passadas pelos funcionários da família, durante depoimento.

“A construção de uma tampa para a cacimba de modo a evitar que o odor da putrefação chamasse a atenção da vizinhança e até mesmo dos funcionários, o que foi um ledo engano. Houve a atualização também de cloro, tanto em pastilha como líquido, isso constatado pela perícia criminal, o que leva a crer uma tentativa de ocultação do cadáver e evitar com isso que os efeitos dos gases da putrefação levassem a localização do corpo”, detalhou o delegado.

A esposa do médico Jussara Rodrigues da Silva Paes e o filho dele Danilo Paes foram autuados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O delegado afirmou que os suspeitos caíram em contradição ainda no momento do registro do Boletim de Ocorrência. “Além das contradições constantes desde o momento do boletim de ocorrência, que já menciona a destinação da vítima, usaram do direito de permanecer em silêncio durante o interrogatório, tanto a mãe quanto o filho, o que traz estranheza para polícia”, destacou o delegado.

De acordo com Joselito, o filho mais novo do casal não é suspeito do crime, pelo menos a princípio, pois colaborou com os depoimentos. “O filho mais jovem do casal foi o único que se predispôs a prestar suas declarações, inclusive evitou a assessoria jurídica prestada por um advogado durante o depoimento. Foi o único que colaborou com as investigações, que mencionou durante suas declarações que o casal tinha um relacionamento conturbado e o pai estava prestes a se separar e aparentemente, pelo menos inicialmente, ele não tem nenhum conhecimento dos fatos”, contou o delegado, apontando que a motivação do crime pode ter sido essa possível separação.

As investigações também não descartam a possibilidade de esquartejamento. “A experiência policial nos diz que quando há o esquartejamento, os restos mortais foram encontrados segmentados, o que sugere um esquartejamento, geralmente são em áreas laváveis. Coincidentemente, exatamente as áreas, os banheiros da residência, onde foram encontrados, através do reagente luminol, manchas ou sinalização de sangue humano”, explicou.

» Linha do tempo do crime:

- 30/05 - Cancelamento da viagem para EUA (que aconteceria dia 02/06). O médico, inclusive, solicita à sua secretária que a agenda no consultório particular fosse mantida.

- 31/05 - Desaparecimento;

- 12/06 - Suspeita manda funcionário confeccionar tampa para a caçima e o mesmo identifica um forte odor e moscas saindo do local. A mulher argumenta que jogou um gato morto dentro do poço.

- 20/06 - Registro do desaparecimento na Delegacia de Camaragibe;

- 03/07 - Representação pelo Mandado de Busca e Apreensão;

- 04/07 - Restos mortais são encontrados na cacimba da casa da família;

- 04/07 - Autuação em flagrante por ocultação de cadáver;

- 05/07 - Decretação da prisão temporária por homicídio qualificado e ocultação.

Entenda o caso

Está no Instituto de Medicina Legal (IML) o corpo do médico cardiologista Denirson Paes da Silva, de 54 anos, que foi encontrado esquartejado e carbonizado dentro de uma cacimba na casa onde morava, no condomínio Torquato castro, na estrada de Aldeia, em Camaragibe, na tarde desta quarta-feira (4).

A perícia contou que o corpo estava em estado avançado de decomposição e será necessário realizar a coleta de material da ossada para exames de DNA. Segundo a polícia, o médico foi morto há quase um mês e os principais suspeitos são a esposa e um dos filhos do casal.

Para despistar do crime, a mulher do médico, identificada como Jussara Paes, fez um boletim de ocorrência no dia 20 de junho informando que marido havia viajado para fora do País no mês de maio e não tinha dado mais notícias. Durante as investigações, a delegada desconfiou da participação da família e solicitou o mandado de busca e apreensão na residência do médico.

Até o momento, nenhum parente da vítima compareceu ao IML. O condomínio onde a família morava está isolado para investigações e à tarde haverá uma entrevista coletiva com a Polícia Civil que vai informar detalhes com o fato.


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