ENTREVISTA

Brasil deveria ter tomado atitude mais drástica, diz cônsul sobre Nicarágua


Pernambucana foi metralhada quando voltava da universidade. O Professor Doutor Thales Castro criticou a postura do governo brasileiro em relação à Nicarágua: Brasil é muito reativo.

Maria Luiza Falcão
Maria Luiza Falcão
Publicado em 25/07/2018 às 11:55
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Em entrevista à Rádio Jornal, o Cônsul Honorário de Malta em Recife, o cientista político Thales Castro, afirmou que o Brasil precisa tomar atitudes mais enfáticas para demonstrar indignação contra as violações dos direitos humanos na Nicarágua. O Professor Doutor, que é presidente da Sociedade Consular em Pernambuco (SCP), falou sobre o assassinato de Raynéia Gabrielle Lima, estudante de medicina metralhada quando voltava da universidade na Nicarágua na noite da última segunda-feira (23).

"O assassinato bárbaro dessa pernambucana, que era jovem, tinha sonhos e queria mudar o mundo através da medicina, amputa a família dela", completa. Ouça a entrevista completa:

Thales Castro é Cônsul Honorário de Malta em Recife
Thales Castro é Cônsul Honorário de Malta em Recife
Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem

Em resposta ao assassinato de Raynéia e à crise da segurança pública na Nicarágua , o Brasil convocou o embaixador do País em Manágua. De acordo com Thales Castro, essa é uma manifestação já esperada e "deveria ter sido mais incisiva". Para o cientista político, o Brasil deveria ter sido mais enfático ao demostrar indignação com a morte da estudante. "Na linguagem diplomática, retirar o embaixador mostra reprovação de um ato ocorrido no País. Mas eu acho muito pouco", diz.

Para o cônsul, o Brasil tem uma figura de liderança na América Latina e deveria ser mais enfático no combate aos desrespeitos aos direitos humanos na Nicarágua, sem quebrar as hierarquias diplomáticas e o princípio da soberania. "O Brasil precisa ter posturas mais claras e proativas. O país ainda tem uma postura muito reativa, toma posição depois que o fato acontece", diz.

Entenda o caso

A estudante de medicina Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos, foi morta a tiros na noite da última segunda-feira (23) em Manágua, capital da Nicarágua. O País enfrenta uma onda de protestos que pedem a saída do presidente Daniel Ortega, que está no cargo desde 2006 e reformou a constituição para permitir sucessivas eleições.

Segundo informações de amigos, a pernambucana, de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, não participava de nenhum tipo de manifestação no país. O namorado da pernambucana teria saído do carro gritando que eles não participavam de nenhum grupo. Logo após, os atiradores fugiram.

Votos de pesar

Em nota enviada à imprensa nessa terça, a Sociedade Consular em Pernambuco (SCP) emitiu nota externando os votos de pesar pelo assassinato brutal de Raynéia Gabrielle. A Sociedade Consular advoga que os princípios da justiça devem prevalecer na forma de uma apuração rigorosa e ágil punição dos responsáveis. A SPC afirma ainda que está à disposição da família.


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