Caso Beatriz

Pais da menina Beatriz cobram prisão de suspeito de apagar imagens de câmeras


Beatriz Angélica Mota, de sete anos, foi assassinada com 42 facadas em dezembro de 2015; caso segue em investigação

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 26/07/2018 às 16:44
Arquivo pessoal
FOTO: Arquivo pessoal
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Lúcia Mota e Sandro Romilton, pais da garota Beatriz Angélica Mota, de sete anos, assassinada com 42 facadas em dezembro de 2015, cobram a prisão de Alisson Henrique de Carvalho Cunha, funcionário do colégio onde ocorreu o crime e suspeito de ter apagado as imagens de uma câmera de segurança que poderia colaborar com as investigações. A prisão de Alisson chegou a ser decretada, mas foi indeferida pela juiza Elaine Brandão Ribeiro.

"Esse pedido de prisão vem sendo preparado tem algum tempo. Logo após o crime, no início de 2016, o funcionário apagou as imagens. Isso é fato, existem evidências suficientes para provar. Houve um tempo. A polícia precisou de um trabalho científico para recuperar essas imagens, atrapalhando a investigação", comentou Lúcia Mota.

Toda a investigação e o pedido de prisão contra Alisson Henrique corria em sigilo, até o vazamento das informações pelas redes sociais. "Sabíamos da prisão preventiva de Alisson, mas mantivemos sob sigilo. De repende, vaza nas redes sociais. Nem a mídia especializada teve acesso. Foi um vazamento proposital, não tenho dúvidas".

Lúcia Mota também cobrou a prisão do suspeito. "Alisson não vai responder pelo ato cometido com Bia. Ele vai responder por obstrução de justiça, ele deu fuga a um assassino. Ele atrasou em mais de um ano as investigações. É necessária a prisão de Alisson. Vamos recorrer, o MP acatou o pedido de prisão", comentou Lúcia.

A mãe de Beatriz ainda traçou elogios ao trabalho prestado pelo Ministério Público. Lúcia também criticou a estrutura de trabalho oferecida a polícia. "Quero agradecer o MP, o trabalho feito por toda a equipe. Eles têm se empenhado. Eu não acredito no Estado, mas eu acredito nas pessoas. O Estado não dá condições de trabalho para a polícia. As instituições têm marginalizado o trabalho da polícia. Por trás de cada profissional há uma estrutura necessária. É visível que falta estrtura, isso prejudica qualquer profissional".

Relembre o caso

São 720 dias de um pesadelo que parece não ter fim. Dois anos de promessas, alternância no comando das investigações e poucas respostas; de uma ferida inflamada pela impunidade, que o tempo não consegue cicatrizar. Para Sandro Romilton Ferreira e Lúcia Mota, é como se o relógio tivesse parado no dia 10 de dezembro de 2015, quando a filha Beatriz Angélica Mota, de apenas sete anos, foi assassinada com 42 facadas no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, onde estudava, em Petrolina, Sertão do Estado.

As imagens do suspeito de cometer o crime, que teriam sido apagadas por um funcionário da instituição, foram recuperadas e divulgadas em março deste ano, mas, até agora, ninguém foi preso.


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