INVESTIGAÇÃO

Ministro cobra informações sobre assassinato de estudante na Nicarágua


A estudante de medicina Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos, foi assassinada a tiros em Manágua, capital da Nicarágua

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 27/07/2018 às 13:50
Estudante foi assassinada tiros em Manágua, capital da Nicarágua 
FOTO: Estudante foi assassinada tiros em Manágua, capital da Nicarágua 
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O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, disse hoje (27) que o Brasil vai insistir para receber informações detalhadas sobre as circunstâncias em que ocorreu o assassinato da estudante brasileira na Nicarágua. Ele informou que o Brasil fez um apelo à Organização dos Estados Americanos (OEA) para intervir na situação de violência da Nicarágua.

A estudante brasileira Raynéia Gabrielle Lima foi morta na última segunda-feira (23) com um tiro no peito, em Manágua, capital da Nicarágua. O assassinato foi informado pelo reitor da Universidade Americana (UAM), Ernesto Medina, e teria sido cometido por um grupo paramilitar.

Aloysio Nunes disse que a convocação dos embaixadores do Brasil na Nicarágua e da Nicarágua no Brasil “é um gesto diplomático que marca o profundo inconformismo do Brasil com a violência na Nicarágua, que acabou por vitimar uma brasileira”.

“Fizemos um apelo na Organização dos Estados Americanos para que houvesse um diálogo, uma posição que pusesse fim à violência, não só a violência das forças policiais, mas também a violência mais ultrajante que é a violência das forças paramilitares contra movimentos que buscam a reforma política desse pais”.

Em entrevista em Joanesburgo, na África do Sul, onde participa da 10ª Cúpula do Brics, Aloysio Nunes se queixou de que as primeiras informações coletadas junto às fontes oficiais da Nicarágua não foram suficientes para esclarecer o fato e que, se necessário, o governo brasileiro poderá adotar outras medidas em âmbito multilateral.

“As informações que foram prestadas até agora são extremamente insuficientes. A notícia que dá o governo da Nicarágua é que foi um guarda de uma segurança particular. Quem foi? Qual é o calibre da arma? Em que circunstâncias isso ocorreu? Não houve até agora um esclarecimento desse episódio, e nós vamos insistir porque nos parece uma coisa absolutamente inaceitável”, disse o ministro.

Relembre o caso

A estudante de medicina Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos, foi morta a tiros na noite da última segunda-feira (23) em Manágua, capital da Nicarágua. O País enfrenta uma onda de protestos que pedem a saída do presidente Daniel Ortega, que está no cargo desde 2006 e reformou a constituição para permitir sucessivas eleições.

Segundo informações de amigos, a pernambucana, de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, não participava de nenhum tipo de manifestação no país. O namorado da pernambucana teria saído do carro gritando que eles não participavam de nenhum grupo. Logo após, os atiradores fugiram.

O corpo da jovem foi liberado do Instituto de Medicina Legal (IML) de Manágua, capital da Nicarágua, na manhã desta quinta-feira (26). No entanto, ainda não há previsão de quando o corpo chega ao Brasil. A informação foi repassada durante entrevista coletiva na tarde desta quinta pelo secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico.

A liberação é provisória. “O que faltava era o laudo do IML da Nicarágua. O corpo já foi periciado, houve a liberação provisória porque nós ainda estamos aguardando o atestado de óbito. Isso está sendo providenciado pela embaixada do Brasil na Nicarágua”, explicou o secretário.


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