Entrevista

Receber presos no gabinete não é crime, diz secretário sobre Ugiette


Pedro Eurico ainda disse que essas acusações são o ônus do trabalho realizado; Ugiette negou acusações contra ele

Antônio Gabriel Machado
Antônio Gabriel Machado
Publicado em 09/08/2018 às 14:19
Foto: Leo Motta/JC Imagem
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O secretário de Justiça e Direitos Humanos do Estado, Pedro Eurico, afirmou que 'receber presos no gabinete não é crime', comentando o caso do promotor Marcellus Ugiette, investigado pela Polícia Civil de Pernambuco por corrupção passiva na 'Operação Ponto Cego'. O secretário ainda afirmou que essas acusações fazem parte do 'ônus do trabalho'.

"Isso faz parte do ônus do trabalho que a gente desenvolve. Hoje recebi um vídeo de um agente público espancando um preso, a gente já apurou e resolveu isso. Isso não quer dizer que estou envolvido com o crime, do mesmo jeito que Ugiette recebe presos no gabinete dele eu recebo no meu. Uma coisa é você exercer sua função, outra é se envolver com o crime. O agente que cometer esse tipo de coisa, vai ser punido", diz Pedro Eurico em entrevista à Rádio Jornal nesta quinta-feira (9).

Pedro Eurico ainda cobrou uma menor espetacularização dos fatos, reforçando que o próprio Ministério Público está a frente das investigações. "Olha, existe uma investigação que foi feita e essa investigação está correndo em segredo de justiça. Se corre em segredo de justiça por foro privilegiado de Ugiette, não vou emitir opinião. A Polícia de Pernambuco não anda praticando arbitrariedade, muito menos contra alguém do Ministério Público. Vale lembrar que o próprio Ministério Público está a frente disso. Espero que reduza a espetacularização desse tipo de coisa. Tudo é motivo de espetáculo. Toda e qualquer pessoa deve ser investigada, é o que tem que ser presa", comentou.

Entenda o caso

O promotor de justiça, da Vara de Execuções Penais, Marcellus Ugiette virou alvo de uma investigação da Polícia Civil, deflagrada na última sexta-feira (3). A suspeita é de que o promotor tenha praticado crime de corrupção passiva. Ugiette teria obtido vantagens financeiras e presentes para beneficiar presos. Os detalhes da investigação foram divulgados nesta segunda-feira (6), pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Repreensão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Pernambuco.

Ugiette conversou com a imprensa após ter sido afastado da Vara de Execuções Penais pela corregedoria do Ministério Público de Pernambuco. Ele estava acompanhado por vários advogados que acompanham o caso.

Em todo momento o promotor negou as acusações feitas pela polícia que apura o favorecimento dele a advogados de detentos para transferir os clientes entre presídios com a finalidade de juntar integrantes de uma mesma quadrilha em troca de presentes e dinheiro.


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