INVESTIGAÇÃO

Advogado do promotor Ugiette diz que Polícia descontextualizou fatos


O promotor Marcellus Ugiette presta um novo depoimento à Corregedoria do Ministério Público de Pernambuco nesta quarta-feira (15)

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 15/08/2018 às 14:09
Sérgio Bernardo/ JC Imagem
FOTO: Sérgio Bernardo/ JC Imagem
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O promotor Marcellus Ugiette, afastado da Vara de Execuções Penais, presta um novo depoimento, nesta quarta-feira (15), aos procuradores do Grupo de Atuação Especial de Repreensão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Pernambuco. Ele é investigado pela Polícia Civil e pelo Gaeco pelo crime de corrupção passiva.

Seu advogado, Emerson Leônidas, conta que o depoimento vai servir para o promotor esclarecer todos os pontos nas interceptações e afirmou que a Polícia descontextualizou os fatos. “A proposta é esclarecer, colaborar com aquilo que for necessário. Não há nada a esconder. Tudo vai ser devidamente esclarecido. Nós esperamos que os procuradores do Gaeco entendam que os fatos não se deram no contexto que foram apresentados pela Polícia Civil”, detalhou. “São diálogos soltos e ele vai esclarecer pontualmente o que aconteceu naquele contexto”, completou.

Confira os detalhes na reportagem de Clarissa Siqueira:

Ugielle não falou com a imprensa na chegada ao Gaeco.

Segundo o advogado, o depoimento a gente não tem um prazo de duração. “Ele pode durar uma hora, duas horas, pode se estender pela noite. Isso vai depender muito pela dinâmica que for empreendida nos depoimentos pelos procuradores do Gaeco”, explicou.

A proposta é esclarecer, colaborar com aquilo que for necessário. Não há nada a esconder. Tudo vai ser devidamente esclarecido. Nós esperamos que os procuradores do Gaeco entendam que os fatos não se deram no contexto que foram apresentados pela Polícia Civil.

Marcellus Ugiette deve ser ouvido pelos procuradores que estão à frente das investigações, Dr. Ricardo Lapenda e Dr. Frederico Magalhães.

Denúncias

O promotor de justiça Marcellus Ugiette, que está afastado por 60 dias da Vara de Execuções Penais, virou alvo de uma investigação da Polícia Civil, deflagrada no dia 3 de agosto. A suspeita é de que o promotor tenha praticado crime de corrupção passiva.

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Pernambuco, Ricardo Lapenda, explicou que a organização criminosa de estelionatários que o promotor Marcellus Ugiette faria parte tinha atuação dentro e fora dos presídios. A quadrilha estava atuando a mando dos reeducandos e, segundo a investigação, o promotor beneficiava alguns presos.

O ministério público deu um prazo até o próximo dia 31 de agosto para concluir a análise dos processos que estavam sob a responsabilidade dele.

Defesa

O promotor Marcellus Ugiette concedeu entrevista coletiva no última dia 9 e disse que o apelido “Anjo”, citado no inquérito onde presos se referiam a ele, não pode ser determinante para que ele seja tido como culpado.

“Isso não pode ser um motivo tão forte para que eu possa ser vinculado a uma organização criminosa. Eu acho que é uma precipitação grande, acho que é uma ilação muito forte e leviana até. É melhor apurar melhor, ter cuidado com as pessoas”, defendeu.

Em todo momento o promotor negou as acusações feitas pela polícia que apura o favorecimento dele a advogados de detentos para transferir os clientes entre presídios com a finalidade de juntar integrantes de uma mesma quadrilha em troca de presentes e dinheiro.

Em relação a escuta das conversas telefônicas do promotor com os advogados dos presos que também estão sendo investigadas pela polícia, Ugiette afirmou que faz parte do trabalho dele falar inclusive com famílias de detentos.


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