DESPEDIDA

Familiares e amigos prometem manter o legado de José Pimentel


Corpo do ator, diretor, professor, produtor cultural e dramaturgo será sepultado no Cemitério de Santo Amaro. José Pimentel tinha 84 anos e morreu em decorrência de um enfisema pulmonar

Maria Luiza Falcão
Maria Luiza Falcão
Publicado em 15/08/2018 às 8:22
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
FOTO: Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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O pernambucano de Garanhuns faleceu nesta terça-feira aos 84 anos em decorrência de um câncer no pâncreas. No currículo várias funções: professor universitário, ator, diretor, produtor cultural e dramaturgo. No entanto, o que vai ficar na memória das pessoas é ele com a túnica recontando a história de mais de dois mil anos.

O corpo de José Pimentel foi velado na Assembleia Legislativa do Estado
O corpo de José Pimentel foi velado na Assembleia Legislativa do Estado
Foto: Rafael Carneiro/Rádio Jornal

O corpo de José Pimentel vestido com as roupas do espetáculo da Paixão de Cristo foi velado na sede da Alepe, na Rua da Aurora, na área central do Recife. O caixão com o corpo do “eterno jesus” foi enterrado no cemitério de Santo Amaro, após uma série de homenagens dos amigos da classe artística e um culto ecumênico, que reuniu integrantes da religião Católica, do Candomblé, da Umbanda e da Juremá.

Pra história

Antes de ser imortalizado como jesus, fez outro trabalho cênico de grande repercussão na época. José Pimentel e Carmem Peixoto formaram o primeiro casal romântico das telenovelas brasileiras. Com direção de Jorge José, A Moça do Sobrado Grande foi exibida na Tv Jornal, Canal Dois em 1967.

Ele também fez cinema, quando atuou em riacho de sangue, filme sobre cangaço também na década de 1960. No teatro, produziu as peças: Batalha dos Guararapes e Massacre de Angicos Morte de Lampião encenada recentemente em Serra Talhada.

José Pimentel ajudou a fundar o espetáculo da Paixão de Cristo em Nova Jerusalém, Brejo da Madre de Deus. Depois de atuar como soldado romano acabou sendo alçado ao personagem principal em 1978.

Em 1996, acabou fora da encenação e rompeu com os integrantes da sociedade teatral de Fazenda Nova. No ano seguinte lançou a Paixão de Cristo do Recife, espetáculo que passou pelo estádio do Arruda, Clube Português e Marco Zero.

Sempre como Jesus Cristo, Pimentel desafiou o tempo e encarnou o filho de Deus por quatro décadas. Este ano já com a saúde debilitada, passou o bastão, mesmo a contragosto para o ator Hemerson Moura.

Em março, concedeu uma entrevista ao programa Frequência 2.0 onde fez uma retrospectiva. No momento sinceridade bem comum a ele abre o coração e fala dos significados de um personagem tão especial:

O ator, diretor, produtor cultural e dramaturgo José Pimentel deixa esposa, uma filha, uma neta e um bisneto. Várias notas oficiais de pesar foram divulgadas por conta da morte do artista considerado patrimônio vivo do estado.

Nas artes cênicas, o clima é de luto diante do falecimento de um dos ícones do teatro pernambucano. Para os familiares, o pedido de Pimentel de manter o espetáculo da Paixão de Cristo do Recife é uma ordem. Lilian Pimentel, filha do artista assegura que o legado será mantido sempre com amor, carinho e responsabilidade:

Hemerson moura, o substituto dele no papel do protagonista do espetáculo afirma que foi uma honra dividir o palco:

A atriz Angélica Zenith participa da paixão de cristo do recife. Ela destaca a figura sempre alto astral:

O ator Germano Haiut ressalta o profissionalismo e a dedicação de Pimentel na coxia, os bastidores dos palcos:

O pesquisador e ator Renato Phaelente fala de outra qualidade do amigo. A garra e a lealdade a arte cênica:

A trajetória de Pimentel já está imortalizada nas letras com a biografia “Para além das Paixões”, do jornalista e escritor e Cleodon Coelho. E como forma de homenagear essa personalidade que tal lembrar da principal mensagem de Jesus Cristo analisada pelo Patrimônio Vivo:


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