A candidata do PSOL ao Governo do Estado de Pernambuco, Dani Portela, defendeu uma auditoria sob a dívida pública do Estado e criticou a política econômica de Paulo Câmara (PSB). Segundo Dani, a máquina estadual gasta maior parte dos lucros para o pagamento e folhas nas secretarias estaduais, sendo necessário enxugar os gastos.
"A partir de 2019 a primeira medida que precisamos tomar é fazer uma fotografia do que temos, de receita e do que precisamos investir. Temos levantado isso, no ato do registro da nossa candidatura, pensamos em fazer essa fotografia e vamos lançar faltando 30 dias para as eleições. Precisamos enxugar, precisamos de um estado menor quanto a isso. Precisamos de um estado voltado para as políticas públicas. Precisamos pensar num tamanho de estado efetivo. O que não se pode é usar maior parte da receita para pagar folha de secretaria", disse Dani Portela durante a sabatina da Rádio Jornal, nesta segunda-feira (20).
Ainda dentro do assunto economia, a candidata citou números da dívida pública. "Pernambuco tem um passivo hoje R$ 17 bilhões. Vamos fazer uma auditoria nessa dívida pública. Esse passivo, quem são essas pessoas. É como se sonegar fosse um grande negócio em Pernambuco. Precisamos identificar quem são essas empresas", comentou.
Ainda para Dani Portela, os grandes lucros do estado vinham de obras, que não podem mais ser subsidiadas. "Tivemos um governo de esquerda num momento em que o Brasil crescia. Precisamos voltar a ter investimento para PE. Por muito tempo esses investimentos vieram por grandes obras, mas agora não temos como subsidiar essas grandes obras. O legado também não chegou, a gente não sente isso. Como diante dessa crise o estado possa crescer novamente? Fazendo uma auditoria nessas dívidas. Um dos caminhos é começar a pensar em cooperativas, temos ouvido isso muito em todo os estados".
Chapa feminina do PSOL
"Não é uma questão simplesmente de ser mulher, por isso somos uma chapa feminina e feminista. Em 2016, o TSE divulga que 18 mil mulheres no país tiveram candidaturas confirmadas e não receberam nenhum voto, são chamadas candidaturas laranjas, para atingir a cota. Essas 18 mil mulheres, muitas delas são abandonadas pelo partido. Essas mulheres, boa parte, ficaram inelegíveis. Você não pode tirar passaporte, assumir cargo público. Então, diante desse quadro, temos um país com maioria de mulheres. Em PE temos mais do que a média nacional de mulheres. Em 2016, o PSOL faz uma transformação. A gente instituiu paridade na executiva nacional do partido. Essa paridade fortaleceram as mulheres. Nós elegemos várias vereadoras, inclusive Marielle Franco. Várias mulheres chegaram ao PSOL. Uma sociedade boa para a mulher é uma sociedade melhor para todos".
História na política
"Meu pai foi torturado durante a ditadura militar e ele ficou estéril, sou filha por adoção. Cresci nesse ambiente de muita movimentação política. Meu nome vem de Luís Portela, que foi prefeito da cidade de Palmares e meu avô por parte de pai. Quase todo mundo é filho de alguém, neto de alguém na política de Pernambuco. Tenho uma trajetória muito própria. Me aproximo do PSOL em 2016, como advogada, vim para advogar para o partido. Foi o partido que mais me identifiquei. Me aproximo de Marcelo Freixo e Marielle Franco, me identifico com as cores e ideias do PSOL".
Educação em Pernambuco
"Fazendo um recorte, temos que dar uma distância naquilo que há na propaganda e na realidade. Essa educação de qualidade, a melhor do país, não é o que a gente vislumbra. Uma boa parte das escolas não atende as condições mínimas de trabalho. Em muitos casos, não consegue o ajuste do piso dos professores. Quase metade dos estudantes não estão nos modelos das escolas. Temos que pensar num modelo de educação integrada, desde a creche até o ensino médio. Temos milhares de jovens fora dessas escolas. Temos que pensar em tudo isso, de maneira inclusiva, participativa e plural".