O Brasil completa em 2018 um total de 36 anos de eleições diretas para governador e, em 2019, chega a 30 anos de disputas presidenciais pelo voto direto. A dinâmica nas eleições mudou muito, mas o que não foi alterado foi a influência do pode financeiro nas disputas. A reportagem especial “Ideologia, fé e voto: o raio-X das eleições 2018” analisa o peso de ouro dos milionários na primeira campanha sem financiamento privado. Escute a reportagem no áudio abaixo com os repórteres Natália Hermosa e Rafael Souza.
Cifrões e votos
Para o cientista político Antonio Lavareda, o candidato com maior patrimônio larga na frente principalmente após a reforma eleitoral de 2015. Os maiores limites de gastos com a campanha estão previstos para o cargo de Presidente da República, sendo de 70 milhões de reais para o primeiro turno das eleições, com acréscimo de 35 milhões no caso de segundo turno.
Nas disputas para o cargo de deputado federal, foi fixado o teto de gastos de 2,5 milhões reais. E para deputado estadual, o valor máximo a ser gasto é de 1 milhão. Já para os cargos de governador, além de senador, os limites vão variar de acordo com o eleitorado. Por exemplo, um estado com um milhão de eleitores deve respeitar o teto de R$ 2,8 milhões.
Dos 13 candidatos à presidência este ano, nove declararam patrimônio maior que 1 milhão de reais. Eles correspondem a 69% dos que disputam o pleito. São eles: Álvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Eymael (DC), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL), João Amoêdo (Novo), João Goulart Filho (PPL) e Lula (PT).
Sem dinheiro das empresas nas campanhas e com orçamentos apertados, alguns candidatos apostam na vaquinha virtual pra arrecadar dinheiro. Para o cientista político e jornalista Juliano Domingues, ainda é muito difícil prever se esse recurso vai ajudar na eleição ou não. Ele acredita que o novo sistema de financiamento beneficia os políticos veteranos.
O cenário em Pernambuco
Em Pernambuco, dos 7 candidatos ao governo do estado, três tem patrimônio acima de 1 milhão de reais: Armando Monteiro Neto (PTB), Júlio Lóssio (Rede) e Maurício Rands (PROS). Já na cadeira de vice, Pernambuco não terá nenhum milionário. Dos 12 políticos que disputam uma vaga no senado, quatro declararam a justiça eleitoral um patrimônio maior que um milhão de reais.
Na disputa por uma vaga no congresso nacional, 29 candidatos dos 351 são milionários. A única mulher da lista é a candidata Marília Arraes (PT). Na corrida pela Assembleia Legislativa, dos 670 candidatos, 40 tem patrimônio maior que um milhão de reais. O candidato mais rico desta eleição em Pernambuco, é mais uma vez, o deputado federal Marinaldo Rosendo (PSB), que declarou ter mais de 32 milhões de reais em bens.
O sociólogo Rafael dos Santos descontrói o mito de que candidato rico não precisa do dinheiro do povo. Ele destaca também que no governo de pernambuco é histórica a disputa entre as elites familiares pelo alto escalão do estado.
A última reportagem da série “ideologia, fé e voto: o raio x das eleições 2018” será transmitida pela Rádio Jornal nesta sexta (31), às 6h, no programa “Redator de Plantão” e vai abordar a influência eleitoral das crenças religiosas e como a fé é usada politicamente.