Ao longo de 35 anos, Graça Araújo dedicou sua vida pela notícia precisa e de qualidade. Presenciou os fatos marcantes da vida do pernambucano e noticiou os principais acontecimentos da política e da economia brasileira.
No início da carreira, na Rádio Clube AM, se destacou como repórter ao cobrir o Escândalo da Mandioca – um dos maiores escândalos de Pernambuco - que consistiu no desvio de empréstimos concedidos pelas agências do Banco do Brasil, em Floresta, no Sertão.
A habilidade em lidar com o microfone e de improvisar chamou a atenção das emissoras de televisão. Foi na TV Jornal, que iniciou uma carreira de sucesso com o telejornal TV Jornal Meio-Dia, mas a paixão pelo rádio fez com que entrasse na Rádio Jornal, em julho de 2001, pra apresentar o Rádio Livre e o Consultório de Graça.
A volta ao rádio depois de dez anos atuando apenas na tv emocionou a apresentadora. “O que marcou muito pra mim foi a estreia do Rádio Livre. Foi a realização de um sonho. Foi a primeira vez que fiz estúdio na vida’, disse a apresentadora no especial dos 70 anos da Rádio Jornal.
GRANDES COBERTURAS
Graça encontrou um jeito de fazer o Rádio Livre ter a sua identidade. Sempre começava o programa com um editorial. No dia 12 de setembro de 2002, falava de uma recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao governo brasileiro. Noticiou o atentado às torres gêmeas, em Nova York, nos Estados Unidos, no ano de 2001 e a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 1 de janeiro de 2003, ao lado de Geraldo Freire, Carlos Moraes e Sérgio Montenegro Filho.
2003 foi um ano marcante para o jornalismo pernambucano com o caso Maria Eduarda Amaral e Tarsila Gusmão. A morte das duas adolescentes chocou o estado e fez com que Graça dedicasse horas do Rádio Livre ao caso. A obsessão de Graça pela notícia correta era uma de suas marcas. Não se contentava com o trivial. Curiosa por natureza, ajudou toda a sua equipe de produção e de reportagem a levar a melhor informação ao ouvintes.
Foi assim em 2005 na cobertura do Mensalão, esquema de compra de votos de deputados durante o governo lula, ou no acidente com o avião da Tam, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em 2007. A morte da turista alemã Jennifer Kloker, em 2010, também foi tema de inúmeros editoriais da apresentadora.
A posse da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2011, e o impeachment dela, em 2016, motivaram programas especiais. Os comentários de Graça eram pontuais.
COMENTÁRIOS FORTES
Quando o assunto é violência contra a mulher, Graça se sensibilizava e demonstrava a sua insatisfação com um tema tão delicado. Foi assim na cobertura do assassinato da estudante Remís Carla, no final do ano passado.
“É o típico crime de quando a mulher vai pra casa do namorado e desaparece. É claro que Remís Carla não morreu por causa de um celular. Foi feminicídio. Ela foi morta pela simples condição de ser mulher”, enfatizou Graça.
Durante a greve geral, realizada em abril de 2017, por conta da reforma trabalhista, Graça fez um comentário que viralizou em todo o país. Ela entendia que o trabalhador seria prejudicado com uma reforma que tiraria direitos da população.
“Quem sabe se o trabalhador tivesse os mesmos direitos de outras categorias – daqueles que ganham mais de R$ 30 mil reais e se aposentam com mais de R$ 30 mil reais e que nunca colocaram os pés em um hospital público – quem sabe assim os trabalhadores não aceitariam todas as propostas feitas pelo governo federal. Se todos os trabalhadores tivessem os mesmos privilégios, eu tenho certeza que não teria contestação e as reformas seriam unanimidade”, desabou a apresentadora.
Em maio deste ano, na greve dos caminhoneiros, Graça passou duas horas durante sete dias pra acompanhar a situação das BR´s de todo o país e o desabastecimento nos supermercados e a falta de gasolina e gás nos postos e depósitos do estado.
RELAÇÃO COM OS OUVINTES
Uma de suas virtudes era o relacionamento próximo com os ouvintes. Tanto que mantinha o quadro “Boca no Trombone”, justamente pra ouvir as queixas da população. Fazia questão de saber quem estava do outro lado da linha pra chamar o ouvinte pelo nome.
Uma profissional ímpar e bastante qualificada. Graça Araújo era um exemplo para a equipe de produção e de reportagem.