CARNAVAL

Em 2019, samba enredo da Mangueira homenageará Marielle Franco


A vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram assassinados a tiros há sete meses e o crime até hoje não foi solucionado

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 14/10/2018 às 18:11
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FOTO: Divulgação
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A escola de samba Estação Primeira de Mangueira escolheu, na madrugada deste domingo (14), seu samba enredo para o carnaval de 2019. A letra faz uma homenagem à Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro assassinada a tiros no dia 14 de março no Rio, junto com o motorista Anderson Gomes. A escolha do samba ocorreu na quadra na escola, na zona norte da cidade.

O enredo da escola – História pra ninar gente grande – tem como tema a "história que a história não conta" e o samba Eu quero um Brasil que não está no retrato. No refrão, o nome da vereadora é citado: "Brasil, chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, Malês".

Em postagem no Facebook, um dos autores da música, Tomaz Miranda, postou a frase "Fomos campeões na Mangueira. Pela memória de Marielle e Anderson e toda luta que ainda virá. São verde e rosa as multidões".

Ouça a música:

Placas

Réplicas de placas de rua com nome da Marielle Franco são distribuídas na Cinelândia
Réplicas de placas de rua com nome da Marielle Franco são distribuídas na Cinelândia
Fernando Frazão/Agência Brasil

Neste domingo (14), dia que marca os sete meses da morte de Marielle, em ato na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, foram distribuídas mil placas em sua homenagem. A campanha para a confecção das placas foi lançada pelo site de humor Sensacionalista depois que dois candidatos a deputado estadual pelo PSL destruíram o adesivo colado na placa que identifica a Praça Floriano. A colagem mudava informalmente o nome do logradouro para Rua Marielle Franco.

O ato – em estilo flashmob (mobilização pela internet) – reuniu mais de mil pessoas na Cinelândia. A arrecadação virtual pelo site Catarse estipulou inicialmente o valor de R$ 2 mil reais para a confecção de 100 placas, mas a vaquinha chegou a R$ 42.333, com 1.691 apoiadores, e foram feitas mil placas de plástico. A distribuição começou por volta de 13h e, em meia hora, as placas já haviam acabado.

Após a distribuição, as pessoas formaram a palavra Marielle com as placas levantadas. A viúva da vereadora, Mônica Benício, colou uma delas sobre a placa da Praça Floriano, retirando a homenagem em seguida.

Emocionada, a mãe de Marielle, Marinete Silva, ressaltou que mobilizações deste tipo mantêm vivas as causas defendidas pela filha. "Eu achei lindo. Quando chegamos aqui já tinha uma fila enorme. É muito gratificante, é um dia de muita dor, de muita tristeza, mas vamos resistir. Cada dia que um público vem se manifestar em memória da minha filha, é saber que ela existe e que vai continuar existindo. E resistindo também, a gente precisa, nos fortalece bastante".

A irmã de Marielle, Anielle Franco, reforçou a importância de atos para manter viva sua memória e seu legado. "Eu acho que mostra um pouco da nossa força, da nossa resistência. Eles ficam tentando nos calar. Mas vamos resistir enquanto a gente puder".

A artista Carol Aniceto disse que a campanha é um direito de resposta aos atos de intolerância praticados no país. "A intenção é manter o legado de Marielle e dar uma resposta aos fascistas que, de maneira desrespeitosa, troglodita e antidemocrática, quebraram a placa em homenagem a ela."

A pesquisadora da Fiocruz aposentada Fernanda Carneiro não conseguiu uma placa, mas fez questão de comparecer à homenagem. "Eu soube pelas redes sociais. Achei uma explosão, a Marielle é uma explosão de paz, onde está a Marielle está todo mundo comovido, consternado e revoltado com o desrespeito que está vingando no Brasil".


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