Saúde

Brasil é o segundo país que mais realiza cesarianas


A América Latina é a ragião com a maior taxa de cesáreas no mundo e o Brasil vem atrás da Republica Dominicana em números de nascimento desse tipo

Rádio Jornal
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Publicado em 16/10/2018 às 21:18
Foto: Pixabay
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A cesariana é indicada em casos onde seja preciso salvar a vida da mãe e do bebê

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Que o parto normal é sempre o mais indicado por médicos e especialistas, todos sabem. Porém, em contrapartida, o número de nascimentos por cesáreas praticamente duplicou em 15 anos. Passando de 12% para 21% entre os anos de 2000 e 2015, superando os 40% em 15 países, sendo a maioria da América Latina e do Caribe. Atualmente, apenas 15% dos partos cesarianos são por motivos médicos. No Brasil, a incidência torna-se maior devido a problemas como a assistência, tanto do pré-natal, que é o acompanhamento médico feito pela gestante durante os nove meses de gravidez, quanto do período imediato do parto. O país está atrás somente da República Dominicana, ocupando a segunda colocação entre os países que mais realizam cesáreas no mundo.

Em entrevista ao comunicador Ednaldo Santos, do programa Balanço das Notícias da Rádio Jornal, a presidente do Departamento de Reanimação Neonatal da Sociedade de Pediatria de Pernambuco, a médica pediatra Daniele Brandão, alerta sobre os riscos desse tipo de parto.

"O parto cesariano é feito para salvar a vida da mãe e do bebê quando não se pode fazer o parto normal. Ele deveria ser uma solução para evitar as mortes. Entretanto, há um alto índice de partos cesarianos. A gente sabe que o ideal é que as instituições tenham no máximo 20% dos partos por cesáreas, e todo os resto por via normal... No Brasil a gente tem dificuldade em fazer o parto normal, sobretudo nos hospitais privados. Onde há uma alta incidência de cesáreas, o que pode levar ao nascimento prematuro do bebê", afirma a pediatra.

Na rede privada o número de partos cesáreos gira em torno de 80% e 50% na rede pública. Entre as classes mais ricas, há um forte aumento desses números, que em muitos casos ocorre sem motivos médicos, o que representa um problema por causa dos riscos que pode trazer para a mãe e o bebê. A Organização Mundial de Saúde (OMS), recomenda que seja de até 25% a quantidade de partos cesarianos.

A enorme demanda do sistema público de saúde também é um fator facilitador para a ocorrência de partos cesarianos. "Muitas vezes o que acontece é uma sobrecarga do sistema público. Às vezes a gente tem uma sobrecarga de partos e aí os obstetras não tem condições de saber quantas mulheres chegam e precisam dar assistência em 12, 13 partos em 12 horas. Muitas vezes o medo de acontecer alguma coisa com a criança, opta-se pela cesárea", explica. Danielle.

Embora as cesáreas salvem vidas e sejam de fácil acesso para mulheres de regiões pobres, não se pode abusar. "No parto cesariano marcado, eletivo, o bebê pode nascer antes da idade gestacional ideal e parar na UTI por falta de oxigenação. Fora o risco para mãe de sangramento e morte materna", destaca a médica.

Ouça a entrevista na íntegra:


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